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Pressão inflacionária é risco para economia, alertam BCs

Preços do petróleo e alimentos pressionam inflação e exigem vigilância das autoridades monetárias, dizem

João Caminoto, da Agência Estado,

19 de novembro de 2007 | 10h50

A pressão inflacionária causada pela alta dos preços dos petróleo e alimentos foi identificada pelos governadores de bancos centrais como uma das principais ameaças à economia mundial, que por enquanto, continua apresentando um desempenho positivo. "Nós todos notamos que estamos diante de desafios, particularmente oriundos dos preços do petróleo e alimentos", disse o presidente do Banco Central Europeu, Jean-Claude Trichet, ao apresentar à imprensa as conclusões da reunião bimestral do Banco de Compensações Internacionais (BIS, na sigla em inglês), realizada nesta segunda-feira, 19, na Cidade do Cabo. Trichet disse que essa tendência, aliada à "significativa corrente correção nos mercados financeiros", nascida da crise do setor imobiliário dos Estados Unidos, exige "vigilância" das autoridades monetárias. "Temos que continuar exercendo nossa responsabilidade para esses fatores multidimensionais", disse. "Esse ambiente requer que fiquemos alertas e não complacentes." Segundo ele, o ritmo de crescimento econômico mundial continua "encorajador", embora possa ter se desacelerado ligeiramente abaixo dos 5% ao ano. "Mas os riscos, no geral, apontam para baixo", disse. Numa referência à volatilidade nos mercados de câmbio, Trichet citou também o risco nascido da "desmontagem dos desequilíbrios globais". Em relação à alta dos preços das commodities, Trichet disse que os BCs "vão ter que ancorar solidamente" as expectativas inflacionárias. "Quando ocorre um aumento tão inesperado como o ocorrido nos preços do petróleo e alimentos, é crucial se evitar os efeitos de uma segunda rodada desses aumentos, ou seja, que eles afetem os custos de outros setores", disse. Emergentes fortes O presidente do BC europeu ressaltou o comportamento positivo das economias dos países emergentes diante da recente volatilidade nos mercados financeiros. "É notável a força e resistência exibida pelos emergentes", disse. "Isso é muito bom para o crescimento global." Ele ressaltou "o bom trabalho" implementado em economias emergentes na Ásia, América Latina e África. "Isso reflete o trabalho corajoso das autoridades desses países e também o fato que lições que foram aprendidas da crise asiática na década passada", disse. Câmbio  O presidente do BCE evitou comentar casos específicos de moedas que estão sendo afetadas pela volatilidade nos mercados cambiais. Questionado pela Agência Estado sobre as declarações do diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn no domingo - que disse que o dólar canadense, o euro e o real são as moedas que estão sofrendo a maior pressão de valorização pelos recentes movimentos nos mercados de câmbio -, Trichet repetiu suas recentes declarações genéricas sobre o tema. "Eu não vou acrescentar ao que já disse", afirmou ele, que falou em nome dos governadores dos BCs participantes da reunião bimestral do Banco de Compensações Internacionais (BIS). "Ou seja, que movimentos abruptos e agudos (nos mercados cambiais) não são bem vindos." Segundo ele, a diminuição desses movimentos "seria favorável ao crescimento global". Apesar da insistência dos jornalistas, Trichet evitou tecer comentários diretos sobre o ritmo de valorização do yuan pelas autoridades chinesas, considerado excessivamente lento pelos Estados Unidos e União Européia. Disse apenas ser importante que os "países com grandes superávits em conta corrente" como é o caso da China estimulem o consumo doméstico. Segundo ele, isso já está começando a ocorrer em alguns países. Trichet também não abordou a desvalorização do dólar, que causa crescente preocupação entre os europeus. 'Dólar forte' Durante a reunião dos ministros das finanças e governadores dos BCs do G-20, realizada no fim de semana também na Cidade do Cabo, a questão cambial foi um dos temas mais debatidos nos bastidores. O secretário do Tesouro norte-americano, Henry Paulson, reiterou durante o evento que "um dólar forte" é do interesse dos Estados Unidos. Nos mercados financeiros, há o temor de que uma mudança na estratégia de acumulo das reservas de países asiáticos, principalmente a China, possa acelerar ainda mais a queda da moeda norte-americana. Mas hoje governador do BC chinês, Zhou Xiaochuan, garantiu a jornalistas durante a reunião do BIS que seu país "apóia um dólar forte".

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