Pressão maior sobre a dívida externa em 2015

Vultosos compromissos externos estão previstos para este ano, atingindo, segundo o Banco Central (BC), US$ 102,5 bilhões brutos, 50% mais que em 2014. Há mais US$ 29,1 bilhões referentes a empréstimos intercompanhias. As operações precisarão ser roladas para não afetarem as reservas cambiais, o que depende não apenas da oferta de recursos externos, mas do grau de atratividade do País. É um fator a mais que impõe a melhora das condições fiscais e das contas cambiais, essenciais para fortalecer a confiança depositada no Brasil pelas instituições financeiras globais.

O Estado de S.Paulo

03 de janeiro de 2015 | 02h02

O BC trabalha com a hipótese de que os empréstimos intercompanhias sejam renovados, como também as operações de crédito. É o que tem ocorrido, com regularidade, nos últimos anos. Tem havido oferta de recursos para rolar mais de 100% dos empréstimos, inclusive em 2014. Mas há aspectos novos que não podem ser ignorados.

No último semestre, as emissões de dívida já foram mais contidas do que no primeiro semestre de 2014. Em fase de aperto econômico, como a prevista para este ano, as empresas precisarão de menos recursos. O mercado de commodities tampouco deverá ajudar os países emergentes, que pagam mais caro para se endividar. Grandes tomadores, como a Petrobrás, poderão enfrentar restrições à captação de recursos. Afinal, quanto mais rápida for a recuperação da economia norte-americana, mais próxima estará a normalização da política monetária - ou seja, o retorno à política de alta da taxa básica do Fed.

O cenário sugere que o mercado internacional dê ênfase à "seletividade", afirmou ao jornal Valor Adrian Guzzoni, da área de emissão de dívida do Citi no Brasil.

A situação do balanço de pagamentos exige a rolagem de dívidas e o ingresso de dinheiro novo. O déficit em transações correntes é estimado pelo BC em US$ 86,2 bilhões em 2014, quase 4% do PIB, e em US$ 83,5 bilhões em 2015, ou 3,8% do PIB. Esse déficit se soma às necessidades de rolagem de dívida.

Nos últimos anos, as grandes empresas brasileiras tomaram vultosos recursos no exterior. Conseguiram, assim, financiar-se a juros baixos, aproveitando a política do Fed e a liquidez do mercado internacional. Mas com a desvalorização do real (de mais de 14% nos últimos 12 meses e mais de 30% nos últimos 24 meses), terão de suportar custos crescentes. É preciso saber em que grau elas estarão ativas no mercado de captação.

Tudo o que sabemos sobre:
O Estado de S. Paulo

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.