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Pressão nos preços vem do cenário externo

Crescimento mundial melhora renda e amplia venda de alimentos, enquanto agroenergia reduz oferta de grãos destinados ao consumo

Fabíola Salvador, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2009 | 00h00

A alta dos preços dos alimentos no mercado interno é em parte reflexo do cenário externo, onde dois fatores têm elevado as cotações dos principais produtos agrícolas, avaliou ontem o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes. O primeiro fator, disse ele, é o crescimento da economia mundial nos últimos cinco anos. "O crescimento atual significa melhoria de renda e aumento de consumo, sem que a produção agrícola consiga dar uma resposta no mesmo ritmo", explicou o ministro. Ele citou China, Índia e Rússia como países onde a demanda por alimentos tem crescido.O segundo fator de sustentação para os preços internacionais é o interesse mundial pela agroenergia, disse Stephanes. "No caso de outros países, há uma disputa pelas áreas que podem ser destinadas às culturas que permitem a produção de biocombustíveis ou grãos. Essa disputa não acontece no Brasil", explicou. O ministério argumenta que aqui há espaço para a produção de grãos e de cana-de-açúcar e informa que cerca de 6 milhões de hectares são plantados com cana no País e outros 20 milhões de hectares têm potencial para esse tipo de plantio, sobretudo na região Centro-Sul, onde estão localizadas as maiores usinas de álcool. Mas, nos Estados Unidos, lembrou Stephanes, o milho é usado na produção de etanol, o que acaba influenciando o preço de outros produtos destinados à alimentação humana ou animal. A soja está incluída na lista.PRÓXIMA SAFRANa avaliação do ministro, o reflexo da agroenergia e do aumento da demanda mundial por alimentos é pequeno no mercado interno porque o Brasil é um grande produtor mundial de grãos. Nesta semana, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) confirmou produção superior a 130 milhões de toneladas de grãos na safra 2006/07, crescimento de 7% no ano-safra. Para a próxima safra, a expectativa é de crescimento de pelo menos 5% na área plantada com soja, mas a colheita depende do clima. Mas, na avaliação do ministro, não é possível esperar recuo de preços. "Esses fatores deverão elevar e fixar os preços dos produtos agrícolas num patamar ligeiramente acima do registrado nos últimos anos", afirmou.

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