Pressão política ameaça independência do BCE

Os políticos estão colocando em risco a independência do Banco Central Europeu (BCE) ao discutirem abertamente uma expansão do mandato do banco, disse Juergen Stark, membro da diretoria-executiva do BCE, em uma entrevista a ser publicada domingo no jornal alemão Frankfurter Allemeine Sonntagszeitung. "A pressão política sobre o BCE é enorme atualmente", com "uma expansão do nosso mandato abertamente discutida", afirmou Stark. "Isso não apenas afeta nossa independência. É uma ameaça a ela".

FÁBIO ALVES, Agencia Estado

26 de novembro de 2011 | 16h38

O mandato do BCE é de manter a inflação da zona do euro um pouco abaixo de 2%. Mas os políticos de vários países membros estão demandando cada vez mais que o BCE imprima dinheiro e aumente em grande escala as compras de títulos de governos em um esforço para acabar com a crise da dívida da região.

Os diretores do BCE têm resistido até agora a tais demandas e apoiam a Alemanha, que tradicionalmente defende que o banco central tenha o foco no combate à inflação.

Stark alertou que nem o financiamento monetário nem a criação de eurobônus resolveriam a crise da dívida da zona do euro.

"Eurobônus não resolvem de maneira alguma os problemas estruturais de orçamento que alguns membros da zona do euro enfrentam", disse Stark. "Pelo contrário, eles levam a um passivo e dívida da união que ninguém poderia desejar".

Por outro lado, afirmou ele, a impressora do banco central, em hipótese alguma, será usada para reduzir a dívida de governos. Stark também alertou que a inflação poderá subir novamente, conforme a entrevista ao jornal alemão.

Stark anunciou em setembro que deixará o BCE, no que as fontes da Dow Jones classificaram como um protesto contra a decisão do banco de reativar seu programa de compras de papéis do governo. A saída de Stark está prevista para o final de dezembro.

Seu sucessor na diretoria executiva do BCE, o vice-ministro das Finanças da Alemanha, Joerg Asmussen, também se opõe a compras em larga escala de títulos da dívida governamentais pelo BCE, conforme a entrevista a ser publicada domingo pelo jornal alemão. As informações são da Dow Jones.

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