Pressão sobre inflação mexe com mercado

O mercado financeiro inicia o dia com a divulgação do Índice de Preços ao Consumidor Ampliado (IPCA-15), calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado ficou em 1,99%. Trata-se de um índice que mede a inflação para famílias com rendimento entre 1 e 40 salários mínimos, durante o período entre o dia 15 do mês anterior e o dia 15 do mês atual. A expectativa dos analistas, de acordo a reportagem de André Palhano, era de um resultado entre 1,50% e 1,75%.Mais uma vez a divulgação de um Índice que sinaliza pressão inflacionária pode mexer com o mercado financeiro. Ontem, o resultado da prévia do Índice de Preços ao Consumidor (IPC), calculada pela Fipe, referente à terceira quadrissemana de agosto, deixou os investidores apreensivos. O Índice em 1,81%, mesmo abaixo do número anterior, de 1,87%, ficou acima do esperado: entre 1,60% e 1,70%.Com isso a cotação do dólar subiu forte e encerrou a segunda-feira em R$ 1,8310 na ponta de venda dos negócios. Essa foi a cotação mais alta desde o dia 30 de maio. Hoje, a moeda norte-americana abriu cotada a R$ 1,8340 na ponta de venda dos negócios, registrando uma alta de 0,16% em relação ao fechamento de ontem. Há pouco, a moeda norte-americana já era vendida a R$ 1,8380, com alta de 0,38% em relação aos últimos negócios de ontem.Bolsa em queda e juros em altaAnalistas têm dito que a pressão de alta nos preços deve ser revertida a partir de setembro. Porém, o mercado financeiro tem recebido com apreensão os números da inflação. Uma das conseqüência desse cenário tem sido uma queda na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e uma alta do dólar e das taxas de juros nos contratos com vencimento futuro.Hoje, com a divulgação do IPCA-15, a Bovespa abriu em queda de 0,16%, depois de ter encerrado a segunda-feira com queda de 1,03%. Há pouco, operava em baixa de 0,72%. A alta da inflação mexe com o cenário para o mercado de ações. Isso porque, o bom desempenho da Bolsa depende também da queda das taxas de juros. Enquanto a inflação estiver em alta, o Banco Central (BC) pode optar por manter os juros estáveis, o que deve atrasar a migração de recursos para a renda variável, comprometendo o bom desempenho do segmento.No mercado de juros, os contratos de juros de DI a termo - que indicam a taxa prefixada para títulos com período de um ano - começaram o dia pagando juros de 17,230% ao ano. Na segunda-feira encerraram o dia negociados em 17,200% ao ano. A alta nas taxas de juros, em função do repique de inflação, poderá ser percebida no leilão de papéis prefixados do governo, que o Tesouro Nacional realiza hoje. No primeiro lote, serão leiloados 2 milhões de papéis prefixados com vencimento em 182 dias. Além disso, serão ofertados 2 milhões de papéis prefixados com vencimento em 399 dias. E veja ainda hoje análises de especialistas sobre a alta da inflação e impacto nas taxas de juros.

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