Pressão sobre IPCA em agosto deve ser menor

A inflação medida pelo IPCA tende a apresentar em agosto menores pressões de alta que as registradas em julho, segundo observou a gerente do Sistema de Índices de Preços do IBGE, Eulina Nunes dos Santos. A inflação de julho sofreu pressão especialmente dos aumentos de telefonia fixa e energia elétrica, que juntos contribuíram com 0,36 ponto porcentual para o IPCA de 0,20%. Sem esses reajustes de tarifas, haveria deflação em julho. Em agosto, segundo Eulina, as pressões de alta serão exercidas pelos reajustes de ônibus interestaduais e resíduos dos reajustes de ônibus interestadual, telefone fixo e energia elétrica. Além disso, as quedas nos preços dos alimentos e da gasolina deverão ocorrer com menor intensidade do que em julho.Produtos alimentícios ajudaram a conter inflaçãoOs produtos alimentícios ampliaram a intensidade de queda nos preços e ajudaram a conter a inflação medida pelo IPCA de julho (0,20%). A variação dos preços dos alimentos foi de -0,67% em julho (contribuição de -0,16 ponto porcentual na inflação), quase o dobro dos -0,34% registrados em junho.Eulina Nunes dos Santos disse que a safra recorde de 120 milhões de toneladas prevista para este ano está contribuindo para a redução dos preços dos alimentos. De janeiro a maio, antes da entrada plena da safra, houve aumento acumulado de 6,85% nos alimentícios. No acumulado de junho e julho, foi registrada queda de 1,02%. No ano, acumulam alta de 5,77%. Em julho, a maior contribuição para a queda nos preços dos alimentos foi dada pelo feijão carioca (-13,17%).A retração da demanda provocou a queda dos preços de produtos como televisores (-1,82%), microcomputador (-2,97%) e cigarros (-1,78%), além de desacelerar os reajustes do vestuário (0,36%, antecipando as liquidações de inverno, ante 1,89% em junho) no IPCA de julho, segundo destacou a Eulina. "A queda nesses itens se deve especialmente à redução nas vendas", disse, lembrando das retrações consecutivas que vêm sendo registradas nas vendas do comércio e no rendimento dos trabalhadores. "A inflação baixa reflete a eficácia da política monetária", disse.

Agencia Estado,

08 de agosto de 2003 | 12h01

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