Carlos Garcia Rawlins/Reuters
Carlos Garcia Rawlins/Reuters

Em audiência na Justiça, Avianca tenta validar acordo feito com Azul

Arrendadores participarão de encontro e, caso haja acordo, aviões poderão ser repassados para Azul; empresa aérea em recuperação judicial deixou de voar para o Galeão (RJ), Belém (PA) e Petrolina (PE)

Luciana Dyniewicz, Cynthia Decloedt e Renée Pereira, O Estado de S.Paulo

26 de março de 2019 | 15h32
Atualizado 27 de março de 2019 | 12h15

Pressionada pelos arrendadores de suas aeronaves – que disputam a posse dos jatos na Justiça –, a Avianca Brasil reduzirá sua frota e sua malha aérea mais uma vez. Dos atuais 38 aviões, sobrarão 26. Desde o início da crise da empresa, que entrou em recuperação judicial em dezembro, já foram devolvidas outras 19 aeronaves.

Nesta quarta-feira, em audiência na Justiça, a companhia tentará negociar um cronograma para entregar os jatos de forma amigável.

Com o corte na frota, a empresa deixará de atender três destinos – Galeão (RJ), Petrolina (PE) e Belém (PA) – e diminuirá em 40% suas rotas. A redução, de 53 para 32 destinos, será feita ao longo de abril. Os passageiros que já compraram bilhetes para voos que serão cancelados serão reembolsados ou realocados em viagens de outras companhias, segundo a empresa.

Segundo uma fonte, os três aeroportos que a companhia deixa de atender não são de grande interesse para a Azul, que anunciou há 15 dias a intenção de adquirir ativos da Avianca. Para a Azul, os principais chamarizes são os slots (autorização de pouso e decolagem) da Avianca nos aeroportos de Guarulhos (SP), Santos Dumont (RJ) e Congonhas (SP), os terminais mais disputados do País e nos quais a companhia tem atuação discreta.

O corte de frota anunciado ontem pela Avianca vai além do planejado inicialmente. A intenção da empresa era, após sua reestruturação, ficar com 38 aeronaves. A briga com os donos dos aviões na Justiça, porém, obrigou a empresa a ir além.

A Avianca deve cerca de US$ 150 milhões (R$ 580 milhões) para os arrendadores dos jatos, que estão fora da recuperação judicial, e tem uma dívida de R$ 2,7 bilhões com outros credores. Desse montante, cerca de R$ 2 bilhões são com fundos ligados à administradora de recursos americana Elliot.

A Justiça havia proibido a reintegração de posse das aeronaves desde que os pagamentos fossem efetuados sem atrasos, a partir de 1º de fevereiro. No fim do mês passado, porém, a companhia aérea deixou de honrar os compromissos – com apenas duas empresas de arrendamento, o débito de lá para cá já chega a US$ 10 milhões (quase R$ 40 milhões).

Justiça

Na audiência de hoje, convocada pelo juiz Tiago Henriques Papaterra Limongi, da 1.ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo, a Avianca não deverá apresentar proposta de pagamento dos valores vencidos desde fevereiro, apenas um cronograma para devolver de forma coordenada as aeronaves, apurou o Estado. A Azul, que pretende ficar com parte da frota, também participará da audiência. Caso a Avianca não chegue a um acordo com as arrendadoras, deverá pedir que o juiz defina o cronograma.

Do lado das empresas donas dos aviões, há uma parte que quer a reintegração de posse imediata e outra mais propensa a negociar. Segundo fontes, com os arrendadores que estão em conversas avançadas com a Azul, o juiz poderá liberar a reintegração de posse dos aviões.

Isso porque, pelas negociações em curso, as aeronaves retomadas seriam repassadas para a Azul. A ideia é resolver essa questão até sexta-feira, quando deverá ocorrer a assembleia de credores da empresa para aprovar ou não o plano de recuperação judicial.

Interesse pela empresa

Até o momento, só a companhia aérea Azul manifestou intenção de levar a Avianca, num modelo que envolveria a aquisição, por US$ 105 milhões, de uma Unidade Produtiva Isolada (UPI), contendo parte da frota e das autorizações de pousos e decolagens. 

O negócio precisa, entretanto, do aval dos credores da companhia, da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e das arrendadoras de aeronaves.

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