Pressionada pela Petrobrás, Bolsa cai 1% e passa a acumular queda no ano

Ação ON da petrolífera caiu 5,09%, enquanto a PN terminou em baixa de 4,55%; executivos da estatal estão envolvidos em denúncias de corrupção, o que impossibilitou a divulgação do balanço do 3º trimestre

Márcio Rodrigues , O Estado de S. Paulo

17 de novembro de 2014 | 17h12

O tombo das ações da Petrobrás, após a teleconferência feita por sua diretoria não afastar o mau humor dos investidores, foi a principal razão para a queda do Ibovespa neste começo de semana. Agora, a Bolsa passou a acumular queda no ano de 2014. A baixa dos papéis da Eletrobras, depois que a companhia informou prejuízo bilionário no terceiro trimestre, ajudou a compor o cenário de perdas para a Bolsa doméstica.

O Ibovespa terminou a sessão em baixa de 1,00%, aos 51.256,99 pontos. Na mínima, registrou 51.047 pontos (-1,40%) e, na máxima, 52.223 pontos (+0,87%). No mês, acumula perda de 6,17% e, agora, também recua no ano, 0,49%. O giro financeiro totalizou R$ 9,140 bilhões, dos quais R$ 4,162 bilhões referem-se ao vencimento.

Na quinta-feira da semana passada, após o fechamento dos mercados, a Petrobrás informou que não divulgaria o seu balanço no dia seguinte. Fontes informaram que a PriceWaterhouseCoopers (PwC) não auditaria os números da estatal até que as denúncias da Operação Lava Jato estivessem apuradas e os dados, devidamente lançados no balanço. No final de semana, a empresa divulgou nos jornais um informe com números operacionais do período, trazendo, entre outras coisas, o resultado de sua produção de petróleo no Brasil, com a média de 2,090 milhões de barris por dia (BPD), 9% acima do mesmo período de 2013. 

Hoje, na teleconferência, a empresa reduziu a previsão de crescimento da produção de petróleo no Brasil de 7,5%, com margem de um ponto porcentual para mais ou para menos, para um intervalo entre 5,5% e 6%. Petrobrás ON caiu 5,09% e a PN terminou em baixa de 4,55%, ambas na lista de maiores quedas do Ibovespa. 

Eletrobras PNB liderou a lista, com -9,09%, seguida por Eletrobras ON, -7,79%. O prejuízo da estatal aumentou 199% do terceiro trimestre do ano passado para igual período deste ano. Não bastasse isso, o papel teve sua recomendação rebaixada pelo Bank of America Merrill Lynch, de neutro para "underperform". Além disso, notícia veiculada na imprensa informou que a Polícia Federal vai investigar se o esquema operado pelo doleiro Alberto Youssef abrange também empresas elétricas.

O pessimismo com as estatais acabou contaminando os demais papéis do Ibovespa. Vale ON e PNA recuaram 0,30% e 0,35%, respectivamente. 

As ações das siderúrgicas também caíram. De acordo com dados do Instituto Aço Brasil (IABr), apesar do aumento de 2,7% na produção de aço brasileira em outubro ante o mesmo mês de 2013, no ano, o resultado caiu 0,7%. Além disso, as vendas cederam 10,6% ante outubro do ano passado. Assim, Usiminas PNA caiu 6,93%, Gerdau PN, 3,18%, CSN ON, 1,99%.

Pelo lado positivo, Banco do Brasil e Cielo subiram 2,45% e 2,51%, respectivamente, entre as maiores altas do índice. As duas empresas estão negociando para que a Cielo assuma o operacional da área de cartões do BB. Para assumir a gestão da área de cartões, a Cielo deve desembolsar, conforme fontes, cerca de R$ 9 bilhões.

Nos EUA, as bolsas voltam a exibir comportamento lateral, em meio a uma rodada de indicadores abaixo do esperado sobre a economia norte-americana. Às 17h28, o Dow Jones e o S&P 500 subiam 0,08%, enquanto o Nasdaq perdia 0,31%.

Tudo o que sabemos sobre:
Bovespa

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.