Epitácio Pessoa/Estadão
Epitácio Pessoa/Estadão

Pressionado pelo dólar, juros futuros sobem

Moeda dos Estados Unidos se fortaleceu globalmente com a chance de o BC americano subir os juros mais rapidamente do que o previsto

Vinicius Neder, O Estado de S.Paulo

24 Abril 2018 | 04h00

As taxas de juro futuro dos títulos negociados na Bolsa fecharam em alta no pregão de ontem, por causa do fortalecimento do dólar ante o real, mas o movimento de elevação das cotações da moeda americana nas últimas semanas ainda está de acordo com o rumo para os juros sinalizado pelo Banco Central (BC) e projetado pelo mercado, dizem analistas ouvidos pelo ‘Estado’. 

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As eleições gerais de outubro são frequentemente apontadas como principal fator de incerteza, capaz de mudar esse rumo. Semana passada, a versão online do jornal britânico Financial Times publicou reportagem sobre a desvalorização do real e destacou que as eleições presidenciais de outubro podem influenciar nas cotações da moeda nacional. 

Ontem, as taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2025 encerram a sessão a 9,74% ao ano, máxima, ante 9,612% ao ano encerradas na última sexta-feira.

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O principal motivo para o desempenho desta segunda-feira foi a desvalorização cambial. O fortalecimento do dólar foi observado globalmente e derivou da possibilidade de o Federal Reserve (Fed) elevar mais forte ou rapidamente os juros nos EUA do que o originalmente previsto. Esse cenário decorre da percepção de que a inflação tende a subir mais por conta da recente alta das commodities num cenário de crescimento robusto da economia americana.

Um dólar mais caro significa inflação maior, exigindo alta nos juros. Por enquanto, o rumo esperado na taxa básica considera mais um corte na taxa básica de juro (a Selic, hoje em 6,5% ao ano), que ficaria em 6,25%, pelo menos, até o fim do ano. A elevação ficaria para algum momento de 2019, quando a economia e, portanto, a inflação, estarão mais aquecidas.

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Esse movimento já considera a possibilidade de o dólar encostar em R$ 3,60, segundo o economista-chefe da consultoria MB Associados, Sérgio Vale. Na média das projeções, o mercado espera que o IPCA, principal índice de inflação do País, encerre 2018 em 3,49%, conforme o mais recente Boletim Focus, relatório do BC que compila as estimativas. Como o IPCA acumula alta de 2,8% nos últimos 12 meses, haveria espaço para a inflação acelerar sem exigir mudanças nos rumos dos juros. 

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Já se o câmbio chegar a R$ 4,00, o IPCA poderia ir a 4,0%. Assim, o BC poderia ser obrigado a mudar sua rota, já que a Selic está em níveis historicamente muito baixos. “O grau de incerteza é elevado, mas ainda estamos com o cenário de que ganha as eleições alguém de centro, que não vai inventar a roda na economia”, disse Vale.

Segundo o economista-chefe do banco ABC Brasil, Luis Otávio Leal, com o cenário eleitoral ainda um pouco distante do radar, os números mais fracos da atividade econômica e da inflação têm reforçado a trajetória de juros sinalizada pelo BC. /COLABORARAM KARLA SPOTORNO E CÉLIA FROUFE

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