Nacho Doce/Reuters
Nacho Doce/Reuters

Pressionado por acionistas, Pedro Faria deixará BRF

Executivo, que contava com apoio de Abilio Diniz, vinha sendo questionadoapós empresa registrar primeiro prejuízo anual

Luciana Dyniewicz, O Estado de S.Paulo

01 Setembro 2017 | 00h40

Em meio a pressões crescentes de acionistas, a BRF (união das marcas Sadia e Perdigão) anunciou nesta quinta-feira, 1, que seu presidente global, Pedro Faria, deixará o cargo no fim de dezembro. Faria chegou à posição em 2015 com o apoio do empresário Abilio Diniz – ex-dono do Grupo Pão de Açúcar e presidente do conselho administrativo da BRF –, mas, desde o começo deste ano, não contava com o suporte de outros membros do conselho devido aos resultados decepcionantes da empresa. Em 2016, a BRF registrou, pela primeira vez na história, prejuízo líquido, de R$ 372 milhões.

Em teleconferência com jornalistas, Abilio negou que outros acionistas tenham pedido a saída do executivo. “É uma decisão em conjunto, que parte de certa forma do Pedro. Ele já havia manifestado há algum tempo que não ficaria para sempre. Ninguém pediu nada.”

O próprio Faria detém uma participação na BRF através da gestora Tarpon, que é dona de 8,42% da companhia – os outros grandes sócios são a Petros (fundo de pensão da Petrobrás) e a Previ (do Banco do Brasil). O executivo afirmou ter recebido convite para voltar à administração da Tarpon, mas disse que ainda não tomou uma decisão. Segundo Abilio, Faria deverá continuar colaborando com a BRF. “Os conselheiros querem que ele continue perto da gente. Ele conhece coisas que seriam muito úteis para a empresa.” Abilio, porém, não informou como poderia ser a atuação de Faria no futuro.

A BRF contratou uma empresa de recrutamento para selecionar seu próximo presidente, que deverá ser um profissional de fora da companhia. “Não há nenhuma chance de ser alguém da BRF ou que tenha alguma relação com acionistas”, disse Abilio.

Desde o começo do ano, em uma resposta ao mercado pelo prejuízo de 2016, a BRF vem reformulando seu quadro de executivos e já havia demitido profissionais ligados a Tarpon, como o ex-vice-presidente de marketing Rodrigo Vieira e o ex-presidente de finanças José Carneiro Borges. Em agosto, o então vice-presidente de integridade corporativa, José Roberto Pernomian Rodrigues, também deixou a empresa. Ele renunciou ao cargo após ter prisão decretada. Rodrigues teve seu nome envolvido em 2007 na Operação Persona, da Polícia Federal, que investigava a Cisco.

Apesar do prejuízo de 2016 e das recentes demissões, Abilio negou que a empresa tenha cometido erros e afirmou que as mudanças são “correções de rumo”. O empresário disse ainda que o prejuízo decorreu de um ciclo econômico desfavorável.

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