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Prestações e juros baixos deram alento ao comércio

O comércio varejista cresceu 10,9% reais, entre 2009 e 2010, graças a condições muito favoráveis - aumento do emprego e da renda dos trabalhadores ativos e aposentados e, sobretudo, prazos dilatados do crediário e do CDC, com prestações menores, que pesaram menos nos orçamentos domésticos.

, O Estado de S.Paulo

17 de fevereiro de 2011 | 00h00

Houve uma nítida diferença entre os segmentos comerciais onde a venda a crédito pesa mais, e os de venda à vista ou de curto prazo. Na comparação entre 2009 e 2010, itens como tecidos, vestuário e calçados cresceram 10,7%; móveis e eletrodomésticos, 18,3%; e artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria, 11,9%. São evidências do vigor do mercado de bens de consumo de massa.

Já nos itens de maior custo, o crescimento do comércio não teria sido tão forte se a taxa média de juros tivesse caído menos. Na compra de veículos os juros diminuíram de 36,5% ao ano, em dezembro de 2008, para 25,4%, em dezembro de 2009, e para 25,2% ao ano, em dezembro de 2010, depois de terem chegado ao mínimo de 22,8% ao ano, em novembro. Nos outros bens, passaram de 73,8% ao ano, em 2008, para 54,8%, em 2009, e 47,9% ao ano, em 2010, a taxa mínima do ano passado.

Embora o crescimento das vendas, medido pela Pesquisa Mensal de Comércio do IBGE, tenha sido generalizado e perdurado em todo o ano, o ritmo foi mais intenso até novembro, quando houve um aperto do crédito, com penalização das operações mais longas, que obrigam os bancos a dispor de mais capital, e elevação dos recolhimentos compulsórios. Por isso, entre novembro e dezembro, houve impactos desfavoráveis, compensados porque algumas empresas, como as do segmento de veículos, mantiveram as condições de crédito, preferindo sacrificar a margem de lucro a perder faturamento.

No final do ano, os segmentos mais atingidos foram os de equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação, cujo ritmo de vendas declinou de 12%, em novembro, para 2,8%, em dezembro, e de livros, jornais, revistas e papelaria, de 11,3% para 2,3%, nas mesmas datas. Isso influenciou o comércio varejista em geral, que saiu de um crescimento de 0,8%, em novembro, para zero, em dezembro. Mas, no comércio varejista ampliado, as vendas de veículos e motos, partes e peças se sustentaram, passando de 0,8%, em novembro, para 4,7%, em dezembro, e as de material de construção, de 1,4% para 3,2%. É improvável que o crescimento de 2010 se mantenha em 2011, com a recomposição mais lenta da renda e os juros em elevação.

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