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Louise Barsi explica como viver de dividendos seguindo o Jeito Barsi de investir

Prestações menores levam imóvel a competir com veículos

As moradias para o chamado segmentoeconômico, desdenhadas até 2003 pelas principais empresas daconstrução civil, vão concentrar os lançamentos no setor no anoque vem, segundo executivos de companhias do ramo. Há espaçopara crescer até conquistando clientes das montadoras deautomóveis. Após mais de uma década de estagnação, o setor deconstrução vive agora novo impulso --movido a estabilidademacroeconômica, maior crédito disponível, queda das taxas dejuros e prazos mais longos de financiamento. Mas até este anoessas melhorias não chegavam a quem tem renda inferior a dezsalários mínimos. "Quando caem os juros, a economia leva até 12 meses pararesponder. Com os consumidores acontece o mesmo, e elesprecisam de confiança para entrar em um financiamento", disse àReuters Leonardo Correa, vice-presidente de Relação comInvestidores da MRV Engenharia . "2008 será o ano no qual quem tem menos vai confiar muitomais", afirmou o executivo da MRV, que é focada nesse segmentoe lançou quase 500 milhões de reais em Valor Geral de Vendas(VGV) no primeiro semestre. A expectativa da empresa é decrescer mais de 30 por cento no ano que vem. Prestações de 560 reais, como as que já existem emlançamentos da empresa, abrem caminho para futura concorrênciacom o setor automotivo, na avaliação de Correa. Se confirmada a tendência de mais crédito e juros menoresem 2008, diz ele, os imóveis devem rivalizar com as parcelas eprazos de financiamento dos carros, que já contam com planos ematé 100 meses e pagamentos mensais de cerca de 150 reais por umveículo popular. A previsão de expansão no segmento popular levou a Rossi,uma das maiores empresas de construção do Brasil, a lançar umplano de prestações a partir de 183 reais durante a obra, paraprojetos entre 45 mil e 130 mil reais. Nessa faixa,concentra-se a grande parte do déficit habitacional do país,estimado em mais de 7 milhões de unidades. "Existem poucos projetos de alta renda, que eram o foco domercado, para lançar em São Paulo ou no Rio. Por isso, olhamospara os imóveis populares ao mesmo tempo em que olhamos para onosso processo de diversificação regional", disse o diretor derelações com investidores da empresa, Sérgio Rossi. CONSOLIDAÇÃO Além da necessidade de expansão regional, o executivoespera uma onda de consolidação que vai complementar operaçõesde incorporadoras e construtoras capitalizadas com a emissão deações no mercado brasileiro. A Camargo Corrêa Desenvolvimentos Imobiliários (CCDI) comprou em agosto a construtora HM, especializada em projetosvoltados ao segmento econômico e com atuação no Estado de SãoPaulo, e fixou a meta de dobrar o número de lançamentos paraesse público em 2008 para 1,2 bilhão de reais. "Faz sentido ter a mesma construtora sempre para diminuircustos nos projetos de baixa renda. Isso não acontece tanto namédia e alta renda. Todo o mercado caminha para isso porque semforça no econômico não dá para crescer", afirmou Paulo Mazzali,diretor de Finanças e Relações com Investidores da CCDI, quedeve investir em imóveis entre 50 mil e 100 mil reais. Mesmo fora da construção e da incorporação, a Lopes, maiorconsultora e intermediadora de lançamento imobiliários do país,anunciou nesta semana a unidade Habitcasa, para imóveis entre60 mil e 180 mil reais. A Lopes, que de 2004 a 2006 teve metade das suas vendas emimóveis de até 150 mil reais, diz ter criado a empresa já comuma carteira de clientes de 41 incorporadoras brasileiras comatuação no segmento econômico. Há quem prefira esperar para ver se a concorrência pelamoradia popular em 2008 será tão pesada quanto as empresasdizem que será. "Houve muita verbalização e ainda não senti a companhiadessas empresas todas", afirmou Correa, da MRV. "Se elas vieremmesmo, o mercado vai acomodar, mas nada tem garantia desucesso", afirmou.

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