Preste atenção às taxas de administração dos fundos de renda fixa

1) Estou buscando um investimento de curto prazo (dois anos) e com baixo risco. Apliquei meu dinheiro em fundo de renda fixa com taxa pós-fixada. Gostaria de saber se foi a melhor opção e qual seria a alternativa.

FÁBIO GALLO É PROFESSOR DE FINANÇAS DA FGV, DA PUC-SP, O Estado de S.Paulo

09 de julho de 2012 | 03h05

Os fundos de renda fixa são boas opções de investimentos. Mas, para responder no seu caso específico, deve ser considerada a taxa de administração que você está pagando nesse fundo. Dependendo da taxa cobrada e, como há incidência do Imposto de Renda nos fundos, pode ser que o rendimento líquido do seu investimento fique abaixo do rendimento de outras aplicações, como por exemplo o da caderneta de poupança, pois esse tipo de investimento não tem incidência de tributação e não há ocorrência de custos de administração.

Ainda hoje, após a queda da taxa Selic para 8,5%, os fundos de renda fixa que cobram taxa acima de 1% ou 1,5% devem estar oferecendo rentabilidade real menor que a da caderneta de poupança. Outras opções de investimentos para esse prazo e também de baixo risco são os títulos do Tesouro Direto, dado aos baixos custos de operação. Podem ser consideradas também aplicações em Certificados de Depósito Bancário (CDBs), que não têm taxa de administração, apenas incidência de Imposto de Renda.

Mas lembre-se sempre de buscar alternativas que sejam compatíveis com os seus objetivos, para que os riscos desses investimentos sejam adequados aos retornos oferecidos.

2) Há um ano a lei do Cadastro

Positivo foi aprovada. Isso realmente resultou em juros mais baixos para o consumidor?

Na verdade, um ano após a aprovação da lei do Cadastro Positivo de credores, a referida lei ainda não foi regulamentada. Ainda estamos na expectativa dos benefícios gerados por essa ferramenta, que possibilita a expansão do crédito de maneira correta. Ou, em outros termos, que haja concessão de crédito com qualidade.

Há muito tempo se discute a possibilidade de implantação desse cadastro, mas sempre tivemos o assunto adiado, como mostra a manchete do Diário do Comércio de 2 de setembro de 1959, que dizia "Criação, em breve, do Cadastro de Fregueses Positivos".

Portanto, a lei é tida como algo fundamental para o mercado de crédito e que deverá resultar em juros mais baixos para aqueles que passarem a pertencer a essa relação de bons pagadores. Diferentemente de outros países que adotaram o Cadastro Positivo há anos, a nossa lei determina que o consumidor deva autorizar sua inclusão no banco de dados.

O fato é que hoje as taxas cobradas pelos tomadores de crédito são altas porque nessas taxas é considerado o grau de inadimplência dos devedores.

A ideia é ter um cadastro das pessoas que compram a crédito, têm bom histórico e que, portanto, não devem ser penalizadas pela incorporação do nível de inadimplência na taxa de juros cobrada. Alguns nós devem ser desatados para tornar essa lei do Cadastro Positivo uma realidade. Devemos mobilizar todos os envolvidos no processo desde as instituições credoras até os consumidores.

Temos de promover a conscientização dos consumidores para entenderem a importância do Cadastro Positivo e alinhar os procedimentos das empresas no processo de adoção desse cadastro. O Cadastro Positivo é um dos aspectos importantes para a sustentabilidade de crescimento do crédito no Brasil.

3) Quero aplicar em fundos de investimentos. Qual o porcentual considerado razoável para a taxa de administração?

As taxas de administração apresentam enorme variação. Há taxas menores que 0,5%, outras superiores a 4%. Infelizmente, as taxas menores são obtidas pelos investidores que têm volumes aplicados maiores.

Hoje, com a queda dos juros, fundos de renda fixa com taxas de administração acima de 1% correm o risco de que sua rentabilidade líquida fique abaixo do rendimento oferecido pela caderneta de poupança. Com a nova regra, para depósitos a partir de 4 de maio, a caderneta de poupança é remunerada em 70% da taxa Selic, que hoje está em 8,5% ao ano.

Assim, o seu rendimento será de 0,49% ao mês, o que equivale a 5,91% ao ano. Para fundos de renda fixa com prazo de resgate para mais de um ano, e com taxas de administração de até 1,5%, o rendimento líquido ficaria empatado com o rendimento da caderneta de poupança.

Vale lembrar que essa situação ocorre porque, nos fundos, há cobrança de taxa de administração e desconto do Imposto de Renda.

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