Rodrigo Capota/Bloomberg via Getty
Rodrigo Capota/Bloomberg via Getty

Previ quer reduzir fatia em ações à metade

Após três anos de déficit, maior fundo de pensão do País registrou resultado positivo

Mônica Ciarelli, Renata Batista e Renata Agostini, O Estado de S.Paulo

25 Maio 2018 | 04h00

Acostumada a figurar nas principais disputas societárias nas últimas duas décadas, como as que envolveram a operadora Oi e a BRF, a Previ – maior fundo de pensão do País, responsável pela complementação das aposentadorias dos funcionários do Banco do Brasil – garante que entrou em uma nova fase. A virada de página inclui não participar mais de blocos de controle e acordos de acionistas e reduzir para 30% a fatia do patrimônio aplicado em renda variável. Hoje, esse porcentual está próximo aos 60%.

Em entrevista ao Estadão/Broadcast, o presidente da Previ, Gueitiro Matsuo Genso, conta que a principal mudança será na forma de alocar os recursos e que agora, para realizar novos aportes, o fundo vai se guiar por um ranking de governança próprio, onde estão classificadas as 100 empresas de maior liquidez do IBR-X 100.

“Vamos ser acionistas passivos em poder e ativos em governança”, diz Genso, para quem os tempos de ativismo em conselhos de administração e blocos de controle estão ficando para trás, com a Previ em apenas cinco acordos de acionistas no momento: Invepar, Neoenergia, Tupy, Vale e Kepler. “Queremos participações fora de acordo de acionistas, alinhadas com nossa matriz de governança”, completa.

Segundo ele, embora a Previ tenha se mantido relativamente a salvo das fraudes que assolaram grandes fundos de pensão de estatais do País e esteja em situação mais confortável que pares como Petros e Funcef, os últimos anos trouxeram outros aprendizados importantes para a fundação. Um exemplo é o descasamento das participações em blocos de controle com os objetivos e o perfil de um fundo de pensão.

“As ações da Vale foram a R$ 70, mas não pudemos vender nenhum papel porque estávamos presos ao bloco de controle. Contabilizamos a alta, distribuímos o resultado (entre os participantes) e, quando a ação caiu para R$ 8, tivemos que registrar e explicar o prejuízo”, resume.

Agora, com o fim do acordo de acionistas e uma política de dividendos agressiva, Genso não tem pressa em se desfazer da participação na empresa. “Se eu vendo as ações da Vale hoje, onde vou colocar o dinheiro?”, questiona.

Para o presidente da Previ, a calma para fazer a transição do portfólio é importante porque a fundação ainda não enxerga, nas condições de mercado brasileiro, ambiente para desempenhar seu novo papel e fazer as novas escolhas.

Nos movimentos já feitos, Genso destaca a compra da participação de 3% na BR. Segundo ele, a empresa se alinha com a estratégia porque tem boa governança, é ótima pagadora de dividendos e tem liquidez. Mas, mesmo tendo apresentado o segundo maior cheque do IPO, no valor de R$ 500 milhões, o fundo não tem expectativa de participar ativamente da gestão.

Resultado. Após três anos de déficit, a Previ registrou resultado positivo de R$ 421 milhões em seu principal plano, que tem patrimônio líquido de R$ 167 bilhões e no qual está a maior parte de seus participantes. O resultado, divulgado na terça, mostra que a rentabilidade ficou em 5,38% de janeiro a abril contra meta atuarial de 2,34%.

Para o presidente da Previ, que todo mês apresenta os resultados aos participantes em mais de 15 estados, essas oscilações refletem condições pontuais de mercado e não preocupam. A favor da Previ há o bom desempenho recente de sua carteira de participações, onde são contabilizados dividendos, como os da Vale. A mineradora tem se destacado como boa pagadora de dividendos.

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