Previ vai ser mais seletiva em 2015

Fundo de pensão dos funcionários do BB adota discurso de cautela; Invepar será o canal de investimento para avançar em infraestrutura

MÔNICA SCARAMUZZO, O Estado de S.Paulo

22 Fevereiro 2015 | 02h05

A Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil, a Previ, está adotando uma postura cautelosa em 2015. O ano será de ajustes para o maior fundo de pensão da América Latina, que na semana passada anunciou o executivo do Banco do Brasil, Gueitiro Matsuo Genso, como presidente da fundação. A Previ deverá ser mais seletiva em seus investimentos para fugir de riscos, mas vai manter suas apostas em infraestrutura, apesar de o setor estar no meio do olho do furacão com a Petrobrás no centro das investigações da Operação Lava Jato.

O veículo de investimento em infraestrutura da Previ será a Invepar, empresa que responde por concessões de transporte, com foco em rodovias, aeroportos e mobilidade urbana, na qual o fundo de pensão detém 25,5% de participação. A Invepar tem como sócios os fundos de pensão dos funcionários da Petrobrás (Petros) e da Caixa (Funcef) e a construtora a OAS.

Em meio à crise pela qual a OAS passa, envolvida nas investigações da Lava Jato, a Invepar, dona do aeroporto de Guarulhos, é considerada o melhor ativo da construtora, já colocado à venda. Além da venda das participação da OAS, a Invepar também deverá passar por uma reestruturação para poder aumentar seus investimentos este ano.

Em entrevista ao Estado, Marco Geovanne Tobias da Silva, diretor de participações da Previ, que até a semana passada era o presidente interino do fundo de pensão, afirmou que a Invepar deverá receber um novo sócio. Vários fundos de investimentos já demonstraram interesse em fazer parte do capital da empresa, em um aporte que pode ficar entre R$ 1 bilhão e R$ 2 bilhões. Se concluída essa injeção de capital, de pelo menos R$ 1 bilhão, a empresa poderá investir até R$ 4 bilhões, uma vez que são investimentos alavancados.

A crise da Petrobrás, que também afetou empresas de óleo e gás, que fizeram pesados investimentos na exploração do pré-sal, levou a Previ a perder dinheiro. Mas o fundo de pensão, que tem uma fatia de 2,81% na estatal (posição de setembro do 2014), diz que, apesar das perdas com ações da Petrobrás, seus resultados continuam positivos.

A expectativa é de que a Previ encerre a contabilidade do ano de 2014 "superavitária". Em 2013, o superávit acumulado foi de R$ 24,7 bilhões. Em 2014, deverá apresentar uma redução significativa, mas ainda sim acima dois dígitos. Até setembro, estava em R$ 21,9 bilhões.

Baixo risco. Com um total de 199,2 mil participantes, entre funcionários na ativa, aposentados e pensionistas, a Previ tem ativos que somam quase R$ 180 bilhões, distribuídos no Plano 1 (com R$ 170,3 bilhões), e o Previ Futuro (com R$ 5,5 bilhões). Com desembolsos de R$ 9 bilhões por ano para pagar aposentadorias, o fundo de pensão não quer correr grandes riscos.

"A Previ foi um agente importante na época das privatizações (anos 1990)", lembra Geovanne. O Plano 1 da Previ, encerrado em 1998, investiu em empresas como a Vale, Telemar Participações (atual controladora da Oi), CPFL e Embraer. Agora, o plano é sair de alguns negócios. Mas sem pressa para não correr o risco de vender as ações na baixa.

Em outubro passado, a Previ vendeu por R$ 616,7 milhões sua fatia de 5,07% que tinha no capital da Usiminas para a Ternium, que faz parte do bloco de controle da siderúrgica. A venda desse ativo, do qual a Previ era sócia desde 1991, foi considerado "um ótimo negócio", segundo fontes, que citaram a disputa societária entre Ternium e Nippon, que tem gerado volatilidade aos papéis da companhia.

De acordo com fontes de mercado, a Previ deverá se desfazer em um futuro próximo de outros ativos "complexos", como a Oi S.A(com 0,88%) e ALL (3,98%). O fundo de pensão não comenta esse assunto.

Na Vale, que tem sua receita afetada pela forte queda dos preços do minério de ferro no mercado internacional, a meta é concluir o projeto de Carajás, orçado em US$ 17 bilhões, que dará maior musculatura à mineradora, e desinvestir de ativos não estratégicos.

A Previ considera que mantém exposição em importantes empresas de energia, como a Neoenergia, com 49,01% de fatia, e a CPFL, com 30,03%, mas são os setores considerados resistentes, como o de alimentos e ativos imobiliários, a atual aposta do fundo de pensão.

Na BRF, na qual detém 11,73%, a ordem é investir com cautela, com expansão calcada no mercado internacional. Os ativos imobiliários, que somam R$ 9,5 bilhões e garantem renda anual de cerca de R$ 1 bilhão, são o porto seguro do fundo de pensão.

A Previ não quer ser vista como um grande "cofre" e diz que seu objetivo é garantir a aposentadoria dos funcionários do BB.

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