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Previ vai vender R$ 3 bi em participações

Presidente do fundo que tem 36% da Perdigão diz que o negócio com a Sadia foi uma oportunidade, mas também uma estratégia

Entrevista com

Irany Tereza, O Estadao de S.Paulo

30 de maio de 2009 | 00h00

O poderoso fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil vem se transformando numa espécie de marca onipresente nos grandes negócios do País. O caso Perdigão-Sadia não fugiu à regra. E, dependendo do desfecho da oferta pública de ações prevista para o próximo mês, pode ampliar ainda mais a exposição da Previ em investimentos na bolsa de valores, que hoje beira os 60%.Uma relação tão alta que o fundo, que planejava desinvestir R$ 1,7 bilhão este ano, mudou sua meta para R$ 3 bilhões. A mudança se deve a uma melhora do mercado, que elevará ainda mais o capital da Previ em títulos e ações.A venda é expressiva, mas Sérgio Rosa, que preside o fundo, desconversa quando questionado se isso inclui a saída da Previ de alguma das 92 empresas nas quais tem participação. "Isso eu não adiantaria mesmo", diz, entre risos. Administrando um superávit de R$ 32 bilhões e participando do controle de nove grandes empresas, tendo a Vale no topo da lista, ele está realmente rindo à toa. O ex-dirigente do Sindicato dos Bancários acostumou-se a participar de negócios bilionários. Mesmo com todas as perdas provocadas pela crise econômica e pela despencada da bolsa desde então, a Previ é dona de uma carteira de investimentos de R$ 121,5 bilhões, sendo R$ 72,4 bilhões movimentados na Bovespa. Em entrevista por telefone ao Estado, Rosa diz que o negócio com a Sadia foi uma oportunidade, mas também fez parte da estratégia de crescimento da Perdigão (onde os fundos de estatais detêm 36% do capital) e acredita que novas consolidações de mercado devem ocorrer. Mas não tem pressa em buscar outras apostas. "Temos de avaliar o que é realmente oportuno", diz o Sr. Previ. A seguir, os principais trechos da entrevista:Como a Previ pretende aproveitar a "liquidação" da crise: com capital pulverizado ou aumentando a participação no controle de empresas?No geral, preferimos criar participações mais líquidas, menos vinculadas a blocos de controle, que nos deem alternativas mais fáceis de desinvestimento. Mas isso varia de participação a participação. De qualquer forma, não estamos vendo exatamente uma liquidação de mercado. Há algumas oportunidades, mas no geral as empresas estão sólidas, estão bem.A Previ continua com exposição grande em renda variável?É incrível, mas mesmo com a crise muito aguda, como a que está ocorrendo, ainda assim estamos superavitários e desenquadrados. Hoje estamos na casa de 60% em ações e com R$ 32 bilhões de superávit. Estamos bem. Não há problema com relação a esses ativos, temos pelo menos até 2014 para fazer o enquadramento às regras de investimentos da Secretaria de Previdência Complementar. Não tem pressa. Estamos bem e temos tempo para avaliar negócios que realmente se apresentem oportunos. O negócio com a Sadia foi uma estratégia ou um negócio de ocasião?Toda empresa tem como estratégia crescer, ampliar seu mercado. O que ocorreu com a Perdigão foi isso.E como você avalia uma mudança tão grande em tão pouco tempo? A Sadia era a compradora há dois anos e, agora, a Perdigão comanda a operação. Estamos no meio de um processo de oferta pública. Não podemos nos estender sobre isso. O ritmo de avanço da Perdigão foi um pouco maior e o que atrapalhou a Sadia, como todos sabem, foi o endividamento. Por isso buscamos uma nova empresa (Brasil Foods) com a arquitetura geral da Perdigão.A Previ pretende adotar um padrão de governança em todas as empresas que controla?A gente depende dos outros sócios. Não podemos fazer nada sozinhos. Vemos as regras gerais do Novo Mercado como as melhores. Mas isso não é também uma lei absoluta. Percebemos que não há uma característica padrão entre as empresas que entregam bons resultados. Algumas são empresas familiares, outras estão no novo mercado.Estamos caminhando para a consolidação também em outros setores?Há uma combinação de consolidação e crescimento. Acho que vamos passar por um processo não só de consolidação, mas também de criação de novas empresas, novos produtos. Há algum tempo a Previ não anuncia uma grande venda de ações. A estratégia de desinvestimento mudou?De forma alguma. Nos últimos quatro anos vendemos, aproximadamente, R$ 10 bilhões em participações. A lógica da venda de ativos é ditada pelo passivo atuarial. Uma coisa é vinculada a outra: vendemos para pagar benefícios. Uma prova de solidez de nosso plano de investimentos é que passamos o pior da crise superavitários. Hoje, o superávit é de R$ 32 bilhões. Já chegou a R$ 52 bilhões no final de 2007. Para este ano, havíamos projetado desinvestir R$ 1,7 bilhão. Como o mercado melhorou mais rápido, o que elevará essa participação em renda variável, acredito que chegaremos ao fim do ano com desinvestimento em torno de R$ 3 bilhões.Há ainda grandes investimentos problemáticos?Muito pouca coisa. A maioria foi equacionada. Fizemos uma redução drástica de ativos com perfil de grande risco. Temos hoje em carteira em torno de R$ 300 milhões a R$ 400 milhões neste grupo. Não é muito, comparado ao nosso portfólio. Já chegamos a ter entre R$ 7 bilhões e R$ 8 bilhões de ativos com perfil de dívida inadequado, incluindo aí a BrT, pela qual vamos receber R$ 1,6 bilhão. Juros da economia estão entrando em outro patamar. Isso pode prejudicar a remuneração dada pela Previ?Nossa visão sobre isso é positiva. A taxa de juros reflete os bons fundamentos da economia. Em geral, a carteira dos fundos reflete a valorização de seus ativos em renda variável, imóveis e outras alternativas. Temos de buscar rentabilidade em outros segmentos. Já temos uma política mais semelhante aos fundos lá de fora, que têm carteira muito diversificada, ao contrário dos fundos brasileiros, que sempre se concentraram muito em renda fixa e títulos de governo. A tendência é manter essa diversificação. Essa é a regra básica.

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