Coluna

Thiago de Aragão: China traça 6 estratégias para pós-covid que afetam EUA e Brasil

Prévia da FGV indica piora no emprego

Duas sondagens apontam para a redução na criação de vagas ou cortes nas empresas

IDIANA TOMAZELLI / RIO, O Estado de S.Paulo

11 de setembro de 2014 | 02h05

A percepção de consumidores e empresários sobre o mercado de trabalho continuou piorando em agosto, num movimento disseminado entre vários setores da economia e diferentes faixas de renda familiares. A tendência fica clara em duas pesquisas da Fundação Getúlio Vargas (FGV) divulgadas ontem.

O Indicador Coincidente de Desemprego (ICD) - que mede a percepção dos trabalhadores - avançou 5,8%. Quando o ICD sobe é sinal de pessimismo entre os trabalhadores. Já o Indicador Antecedente de Emprego (IAEmp) - que mede a percepção dos empresários - recuou 1,2%. Nesse caso, quando há queda é sinal de menos empregos ou cortes nas empresas.

Piora. O sentimento de que as condições de emprego estão piores se disseminou entre todas as faixas de renda em agosto, desde as famílias que ganham menos de R$ 2,1 mil mensais até aquelas cuja renda supera R$ 9,6 mil. "Até mesmo a faixa de renda mais baixa, que não reportava piora na condição, agora fala nisso", disse Fernando de Holanda Barbosa Filho, pesquisador da FGV e responsável pela pesquisa.

O aumento no ICD foi o mais intenso desde julho de 2013, o que indica deterioração no mercado de trabalho e uma possível elevação na taxa de desemprego, "tão logo a População Economicamente Ativa (PEA, população que está no mercado de trabalho ou busca emprego) pare de cair", disse o economista. Desde outubro de 2013, o recuo da PEA indica menor procura por trabalho e tem contribuído para que a taxa de desocupação atinja mínimos históricos.

"Todo mundo revisou a situação atual do emprego para baixo. Talvez a eleição contribua para difundir informações sobre a situação da economia, talvez o PIB tenha contaminado, já que saiu o resultado em recessão. Não sabemos se esse pessoal de fato já está sentindo na pele ou se é porque espera notícias ruins", disse Barbosa Filho.

Ele ressaltou, contudo, que a percepção de piora está espalhada não apenas entre os consumidores, mas também entre os empresários, da indústria, do comércio e dos serviços. "Esse sentimento está disseminado na economia como um todo."

Em agosto, a queda no IAEmp foi puxada pelo menor otimismo dos empresários de serviços e da indústria. A tendência é de que o quadro de baixa geração de vagas permaneça nos próximos meses.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.