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Prévia da inflação acelera em abril

Para analistas, a alta de 0,43% do IPCA-15 indica que cenário favorável da inflação já passou

DANIELA AMORIM / RIO , O Estado de S.Paulo

25 de abril de 2012 | 03h12

A prévia da inflação oficial de abril mostrou um salto nos preços em relação à leitura de março. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo - 15 (IPCA-15) passou de uma taxa de 0,25% para 0,43% em um mês, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O resultado foi interpretado por analistas como uma prova de que o cenário de inflação não deva ser mais tão favorável nos próximos meses, o que pode atrapalhar as expectativas do governo de que o IPCA termine o ano aos 4,4%. "A perspectiva de continuidade da pressão de serviços, especialmente no segundo semestre, sustenta nossa visão de que a convergência da inflação para o centro da meta em 2012 ainda é um cenário de reduzida probabilidade", avaliaram os economistas Alessandra Ribeiro e Thiago Curado, da Tendências Consultoria Integrada.

Os aumentos de preços nos grupos habitação e despesas pessoais foram os principais responsáveis pela aceleração na inflação em abril.

Juntos, os dois grupos responderam por 58% do IPCA-15 no mês, um impacto de 0,25 ponto porcentual. Os destaques foram o reajuste do cigarro, que subiu 5,56% no mês, e empregado doméstico (1,87%), além de aluguel residencial (0,82%), condomínio (1,01%), e água e esgoto (1,60%). "O cigarro já pressionou agora, mas vai pressionar muito mais no IPCA fechado de abril. A gente vai sair de uma taxa de 0,43% para um patamar em torno de 0,57%, muito por causa do cigarro", calculou Luis Otávio Leal, economista-chefe do Banco ABC Brasil.

Os cigarros ficaram mais caros por causa de um reajuste médio de 24% nos produtos na principal fabricante do País, a Souza Cruz, que se antecipou à elevação do IPI sobre o produto a partir de 1.º de maio. Como o aumento passou a valer a partir de 6 de abril, o impacto foi parcialmente absorvido no IPCA-15, e será sentido com mais força na inflação fechada do mês.

Outro reajuste que se refletiu na prévia da inflação de abril foi o dos medicamentos (0,48%), autorizado desde 31 de março, que levou o grupo Saúde e cuidados pessoais a uma inflação de 0,62%. Já os artigos de Vestuário ficaram mais caros com a entrada da nova coleção. Os preços dos alimentos também avançaram. Pesaram mais no bolso do consumidor o feijão carioca, pescados, ovo, óleo de soja, refeição fora de casa e leite longa vida.

No grupo Comunicação, as ligações de telefone fixo para móvel voltaram ao valor original, após a redução de 10,78% concedida pela Anatel em 24 de fevereiro. "O melhor do IPCA já passou, ficou para trás. Agora, a coleta volta para outro patamar", disse Paulo Petrassi, sócio da Leme Investimentos. / COLABOROU PATRÍCIA LARA

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