Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Prévia da inflação sobe 0,21% em abril, menor variação para o mês desde 2006

Resultado abaixo da mediana apontada pelo mercado indica que o Banco Central pode seguir com o afrouxamento monetário em maio e reduzir mais os juros

Daniela Amorim, O Estado de S.Paulo

20 Abril 2018 | 09h02

RIO - O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15), conhecido como prévia da inflação oficial do governo, registrou em abril alta de 0,21%, após ter avançado 0,10% em março, informou nesta sexta-feira, 20, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Essa foi a menor taxa para um mês de abril desde 2006, quando o índice registrou 0,17%.

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No ano, a variação acumulada ficou em 1,08%, menor nível para o período janeiro-abril desde a implantação do Plano Real. O acumulado dos últimos doze meses permaneceu em 2,80%, igual ao dos 12 meses imediatamente anteriores. 

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O resultado no mês veio em linha com as estimativas do Projeções Broadcast, que iam de alta de 0,13% a 0,31%, mas abaixo da mediana de 0,25%. Com a inflação controlada, especialistas apontam que o Banco Central pode seguir com o afrouxamento monetário em maio e há quem ache que há espaço para nova redução do juro em junho.

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"A inflação tem mostrado números fracos e núcleos bem comportados, o que pode gerar uma mudança no cenário do Comitê de Política Monetária (Copom) de que o último corte na Selic será em maio, para 6,25%. Com os núcleos ao redor de 3% e a atividade em nível baixo, cravar que o ciclo de queda acabou pode ter sido um pouco precipitado", avalia o economista Luiz Castelli, da GO Associados.

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"Tivemos um primeiro trimestre excepcionalmente bom e o segundo trimestre parece ter quadro muito favorável também", diz o economista Felipe Carvalho, da Absolute Investimentos, completando que, nesse cenário e com a retomada econômica lenta, o BC deve levar a Selic a 6% em junho.

Preços. O aumento nas despesas das famílias com saúde e cuidados pessoais exerceu a maior pressão sobre a taxa do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) em abril. O grupo Saúde e cuidados pessoais teve uma elevação de 0,69% nos preços em abril, uma contribuição de 0,08 ponto porcentual para a taxa de 0,21% do IPCA-15 no mês. 

Houve aumentos nos itens plano de saúde (1,06%) e remédios (0,63%), refletindo parte do reajuste anual entre 2,09% e 2,84% conforme o tipo do medicamento, em vigor desde 31 de março.

As despesas com Comunicação diminuíram 0,15% em abril (ante recuo de 0,19% em março), puxadas pelo item telefone fixo, 0,45% mais barato em função da redução nas tarifas das ligações locais e interurbanas de fixo para móvel em vigor desde 25 de fevereiro.

Houve desaceleração no ritmo de alta nos grupos Despesas Pessoais (de 0,12% em março para 0,06% em abril) e Educação (de 0,25% em março para 0,02% em abril).

Por outro lado, as taxas foram maiores no período nos grupos Alimentação e bebidas (de -0,07% em março para 0,15% em abril), Habitação (de 0,13% para 0,26%), Artigos de residência (de 0,09% para 0,13%), Vestuário (de 0,00% para 0,43%), Transportes (de 0,07% para 0,12%) e Saúde e cuidados pessoais (de 0,54% para 0,69%).

No grupo Habitação, o destaque foi o item energia elétrica, com aumento de 1,45%, influenciado pela alta de 10,20% no Rio de Janeiro em decorrência dos reajustes de 9,09% e 21,46% nas tarifas das concessionárias locais, em vigor desde 15 de março.

Já no grupo Vestuário houve pressão dos itens roupa feminina (0,62%) e roupa infantil (0,96%).

/COLABORARAM MARIA REGINA SILVA E THAÍS BARCELLOS

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