Prévia da inflação de janeiro ficou em 0,47%

A inflação medida pela primeira prévia de janeiro do Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) foi de 0,47%, bem acima das expectativas do mercado.?Começamos o ano com uma surpresa negativa, que foi a subida violenta dos produtos agrícolas?, disse o chefe do Centro de Estudos de Preços da Fundação Getúlio Vargas, Paulo Sidney Melo Cota.O estrago na agricultura feito pelas fortes chuvas em dezembro fez os produtos agrícolas no atacado passaram de uma queda de 0,91% na primeira prévia de dezembro para uma alta de 2,12% neste mês e influíram para que, no varejo, o grupo de Alimentação subisse 1,05%.Com isso, o Índice de Preços por Atacado (IPA) registrou uma alta de 0,45%, apesar da queda do dólar ter ajudado para que os produtos industriais tivessem uma deflação de 0,19%.No varejo, o grupo de Alimentação foi o que mais subiu, atingindo 1,05%, e o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) fechou em 0,59%. A alta dos produtos agrícolas afetou até mesmo o Índice Nacional do Custo da Construção (INCC).O segundo item que mais contribuiu para a alta de 0,28% no INCC foi a refeição pronta no local de trabalho, que aumentou 0,80%. "Com o preço dos produtos agrícolas explodindo, acho que a queda dos juros está postergada para o segundo semestre, se vier", disse Cota.Ele explicou que a agricultura afeta os índices de preços ao consumidor e, enquanto esses índices estiverem altos, ele acredita que o Banco Central não vai baixar os juros do atual patamar de 19%.A previsão da FGV para o IGP-M de janeiro, que era de zero ou negativa, mudou radicalmente para um pouco abaixo do resultado de 0,47% desta primeira prévia.Agora a previsão de Cota é de que o IPC terá uma alta em torno de 0,80% no mês, por vários motivos. Vão puxar o IPC para cima, além do grupo Alimentação, as matrículas e mensalidades escolares e taxas e impostos como o IPTU e IPVA, que ainda não apareceram nesta primeira prévia.Outro fator é que o preço do gás de botijão, que pesa mais no varejo, subiu, e a gasolina baixou bem menos no varejo e no atacado. Segundo Cota, o IPA pode até ficar negativo ou próximo a zero em função da queda de preços dos combustíveis, que foi bem maior no atacado, e de gasolina e diesel juntos pesarem quase 6% no índice."Se a gasolina e o diesel caírem 20% no atacado, o efeito no IPA é de queda de 1,20 ponto porcentual. Então, mesmo com produtos agrícolas em alta, o IPA pode vir a se tornar negativo", disse.

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