Prévia da inflação de junho cai para 0,18%, segundo o IBGE

Perda de ritmo do IPCA abre espaço para que o governo promova novos cortes de juros, afirmam analistas

FERNANDA NUNES, ESPECIAL PARA O ESTADO/RIO , O Estado de S.Paulo

22 de junho de 2012 | 03h07

A prévia da inflação de junho, divulgada ontem no Índice de Preços ao Consumidor Amplo - 15 (IPCA-15), surpreendeu o mercado com taxa abaixo do piso das expectativas. A alta foi de apenas 0,18%, com a contribuição forte do grupo Transportes, que teve variação negativa de 0,77% - reflexo da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), que barateou os automóveis novos, e da queda do preço do etanol. Em maio, o IPCA-15 havia batido 0,51%.

O ritmo lento da inflação em junho teve como principais motivos a dissipação dos reajustes de cigarros e medicamentos, além da forte redução dos preços de automóveis, destaca o diretor de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco, Octavio de Barros, que aponta também como fator relevante a desaceleração de vestuário, típica deste período do ano.

"A inflação está bastante comportada neste ano e ainda deverá mostrar resultados mais baixos no curtíssimo prazo. Considerando o ritmo ainda lento da atividade, o repasse das altas observadas nos índices ao produtor deve ser limitado para o consumidor. Assim, a inflação deverá encerrar o ano em patamar muito mais confortável do que o imaginado no início do ano, mas ainda um pouco acima da meta", diz.

Já o professor de Economia Luiz Roberto Cunha, da PUC-Rio, não vê risco de comprometimento para a meta de inflação de 4,5% para 2012 e 2013 - com dois pontos porcentuais de margem, para cima ou para baixo - mesmo diante da possibilidade de retomada da economia a partir do segundo semestre. "Não há motivo para pensar em rever a meta de inflação e causar instabilidade no mercado", afirma Cunha, que aposta numa inflação de 4,9% no fechamento do ano e de 5,5% no acumulado de 2013.

A perda de ritmo da inflação abre espaço para que o governo promova ajustes na economia, favoráveis a combater os efeitos da crise internacional no mercado interno, acredita a economista Mônica de Bolle, diretora do Instituto de Estudos de Política Econômica - Casa das Garças e sócia da Galanto Consultoria.

O resultado do IPCA-15 permite a redução da taxa de juros, um estímulo ao investimento pelo setor industrial. Também é, segundo a economista, favorável a eventual aumento do preço dos combustíveis, o que reforçaria o caixa da Petrobrás e liberaria a empresa a realizar, sem dificuldades, o seu plano de negócios.

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