seu bolso

E-Investidor: O passo a passo para montar uma reserva de emergência

Prévia da inflação de março acelera para 0,73%, pior resultado desde 2003

Novo patamar. Pressionado pela aumento dos alimentos e das passagens aéreas, o IPCA-15 atingiu 5,9% no índice acumulado em 12 meses; segundo especialistas, a inflação deve continuar em alta nos próximos meses e superar 6% no resultado anual

IDIANA TOMAZELLI / RIO, O Estado de S.Paulo

22 de março de 2014 | 02h07

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) acelerou de 0,7%, em fevereiro, para 0,73% em março, informou ontem o IBGE. Foi a maior taxa para o mês desde 2003, quando o IPCA-15, prévia do índice oficial de inflação, ficou em 1,14%. Os alimentos, prejudicados pela estiagem, e as passagens aéreas foram os principais responsáveis pela alta.

Apesar de ter vindo abaixo da média esperada pelo mercado (0,76%), o resultado detonou uma série de revisões para cima nas projeções do IPCA fechado do mês. A inflação acumulada em 12 meses chegou a 5,9%. Especialistas preveem que ultrapasse 6% no fim de março.

Alimentos. O grupo Alimentação e Bebidas aumentou o ritmo de alta de 0,52% para 1,11% em março, refletindo a falta de chuvas e acrescentando 0,27 ponto porcentual à taxa geral.

O tomate, bastante sensível a variações no clima, avançou 28,53% no período, seguido de batata-inglesa (14,59%) e hortaliças (12,72%).

"Os alimentos estão refletindo a aceleração percebida no atacado, já que a safra de alguns produtos está sendo prejudicada pela estiagem", avaliou o economista-chefe da Concórdia Corretora, Flávio Combat.

O principal temor, contudo, está concentrado nos efeitos que ainda virão. Para Combat, as elevações estão no início de um ciclo que deve durar pelo menos até abril. "Ainda não é o topo", disse ele.

Para Carlos Lopes, economista da Votorantim Corretora, o impacto não deve diminuir antes do início de junho. "A parte agrícola, principalmente os in natura, tem um pico agora em março. Mas há outros fatores que continuarão pressionando preços", disse Lopes.

As carnes estão entre os produtos que devem repassar as altas do atacado nas próximas semanas, em razão do aumento nos preços das rações, derivadas de soja e milho.

Logo após a divulgação do IPCA-15, o serviço AE Projeções, da Agência Estado, ouviu 25 bancos e corretoras sobre a previsão para o IPCA de março. A média das estimativas foi de uma alta de 0,82% - o que, se confirmado, elevará a inflação em 12 meses à casa dos 6% pela primeira vez em 2014.

Além disso, a persistência do impacto da estiagem sobre os alimentos reforça a aposta de que o Banco Central estenderá o ciclo de alta da taxa de juros, a Selic, até maio, com duas altas de 0,25 ponto porcentual.

"Vemos muitas fontes de pressão em um momento em que o Banco Central desacelerou o ritmo de alta da Selic. A previsão dele não se confirmou. E isso deixa uma preocupação", disse Combat, lembrando a possibilidade de reajuste na tarifa de energia ainda este ano.

Transportes. O grupo Transportes ganhou força em março, passando de -0,09% para uma alta de 1,22%. As passagens aéreas foram o destaque, com alta de 27,08% e contribuição de 0,11 ponto porcentual no índice geral. O grupo também foi pressionado pelo reajuste nas tarifas de ônibus no Rio, que tiveram alta de 1,51%. A entressafra de cana-de-açúcar provocou uma escalada de preços no etanol (3,89%), com repercussão sobre a gasolina (0,26%).

"O etanol vem acelerando bastante por conta da perspectiva de problemas na safra, que alavancam o preço do etanol", disse Étore Sanchez, economista da LCA Consultores. "Consequentemente, com uma pequena defasagem, sentiremos também na gasolina." / COLABORARAM BEATRIZ BULA, DENISE ABARCA, FLÁVIO LEONEL E MARIA REGINA SILVA

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.