Marcelo Ximenez/Estadão
Marcelo Ximenez/Estadão

Prévia da inflação desacelera e tem menor alta para junho desde 2013, diz IBGE

Contribuíram para a desaceleração do IPCA-15 os gastos com saúde e cuidados pessoais, alimentação e bebidas e transportes

Vinicius Neder, O Estado de S.Paulo

21 Junho 2016 | 09h35

RIO - A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo - 15 (IPCA-15) registrou alta de 0,40% em junho, após subir 0,86% em maio. Essa é a taxa mais baixa registrada para meses de junho desde 2013, quando o IPCA-15 ficou em 0,38%. Com isso, o IPCA-15 acumula aumento de 4,62% no ano. Já a taxa consolidada em 12 meses até junho foi de 8,98%. 

O resultado, divulgado nesta terça-feira, 21, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ficou abaixo das estimativas dos analistas do mercado financeiro consultados pela Agência Estado, que esperavam alta de 0,47% a 0,66%, com mediana e média de 0,52%.

A desaceleração do IPCA-15 na passagem de maio para junho (de 0,86% para 0,40%) foi verificada na maioria dos grupos de despesa, com destaque para Transporte (-0,30% em maio para -0,69% em junho), Alimentação e Bebidas (de 1,03% para 0,35%) e Saúde e Cuidados Pessoais (de 2,54% para 1,03%).

 

O grupo Transporte teve impacto de -0,13 ponto porcentual (p.p.) no IPCA-15 de junho. Os destaques de baixa foram o etanol (-6,60%), que, por causa da mistura, influencia a gasolina (-1,19%) e as passagens aéreas (-4,11%).

No grupo Alimentos e Bebidas, "vários produtos tiveram seus preços significativamente reduzidos de maio para junho", informou o IBGE, com destaque para os alimentos in natura. Entre as baixas em junho estão cenoura (-25,63%), açaí (-9,06%) e tomate (-8,10%).

No geral, frutas registraram deflação de 5,43% e as hortaliças recuaram 3,82%. "Em contraposição, alimentos de peso na despesa das famílias como feijão-carioca (16,38%) e leite (5,35%) ficaram bem mais caros", diz a nota divulgada pelo IBGE.

No grupo Saúde e Cuidados Pessoais (1,03%), a desaceleração foi puxada pelo fim do efeito do reajuste dos remédios. O aumento de até 12,50% autorizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) entrou em vigor a partir do dia 1º de abril e teve impacto maior em maio. Ainda assim, os preços dos remédios ficaram 1,11% mais caros no IPCA-15 de junho, após a alta de 6,50% em maio, totalizando 11,29% no semestre.

Na contramão, o grupo Habitação acelerou no IPCA-15 de junho, para 1,13%, ante 0,99% em maio. Sozinho, o grupo contribuiu com 0,17 p.p. no IPCA-15 de junho. O destaque foi o item "taxa de água e esgoto", que, com alta de 4,50%, teve o maior impacto individual (0,07 p.p.) no IPCA-15 de junho.

Segundo o IBGE, a alta foi provocada por reajustes na conta de água das concessionárias de Belo Horizonte, onde houve um reajuste de 13,90% em 13 de maio, "além da revisão na estrutura tarifária praticada pela empresa de abastecimento" de São Paulo, com reajuste de 8,40% no dia 12 de maio; de Brasília, com reajuste de 7,95% em primeiro de junho; de Fortaleza, onde o reajuste de 11,96% está valendo desde 23 de abril; e de Salvador, com reajuste de 9,98% em 6 de junho.

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