Helvio Romero/Estadão - 9/5/2018
Helvio Romero/Estadão - 9/5/2018

Prévia da inflação desacelera para 0,09% em setembro, mostra IBGE

Esta é a menor taxa para um mês de setembro desde 2006, quando o índice foi de 0,05%, e a menor variação mensal de 2018

Daniela Amorim, O Estado de S.Paulo

21 Setembro 2018 | 09h00

RIO - O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo - 15 (IPCA-15), considerado uma espécie de prévia da inflação, desacelerou para o,09% em setembro, após ter leve alta de 0,13% em agosto, informou nesta quinta-feira, 21, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).  Esta é a menor taxa para um mês de setembro desde 2006, quando o índice foi de 0,05%, além de ser, também, a menor variação mensal de 2018.

O resultado ficou abaixo da mediana de 0,17% das estimativas dos analistas do mercado financeiro consultados pelo Projeções Broadcast, que esperavam uma alta entre 0,02% e 0,29%.

 

A variação acumulada no ano foi de 3,23% e, em relação aos últimos 12 meses, o índice ficou em 4,28%, ligeiramente abaixo dos 4,30% registrados nos 12 meses imediatamente anteriores. Em setembro de 2017, a taxa foi de 0,11%.

Famílias gastam menos com alimentação e bebidas e mais com transporte

As famílias brasileiras gastaram 0,41% menos com alimentação em setembro, após a alta de 0,03% registrada em agosto.

O custo da alimentação no domicílio diminuiu 0,70% este mês. Houve redução nos preços da cebola (-18,51%), batata-inglesa (-13,65%), leite longa vida (-6,08%) e carnes (-0,97%).

A alimentação fora de casa ainda subiu 0,12% em setembro, mas o ritmo de aumento perdeu força em relação a agosto, quando a elevação foi de 0,84%. A refeição fora de casa passou de alta de 0,67% em agosto para aumento de 0,06% em setembro, enquanto o lanche consumido fora do domicílio saiu de avanço de 1,63% em agosto para 0,06% em setembro.

Já o setor de transportes teve alta no mês. Pressionados pela alta nas tarifas de companhias aéreas, os custos dos Transportes saíram de uma deflação de 0,87% em agosto para avanço de 0,21% em setembro.

As passagens aéreas saíram de uma queda de 26,01% em agosto para um aumento de 17,12% em setembro, item de maior impacto individual sobre o IPCA-15 do mês, o equivalente a uma contribuição de 0,05 ponto porcentual.

Por outro lado, os combustíveis recuaram 0,19% em setembro, o terceiro mês consecutivo de quedas. A gasolina diminuiu 0,07%, enquanto o etanol ficou 1,36% mais barato. Já o óleo diesel subiu 2,41%, como reflexo do reajuste de 13,00% nas refinarias anunciado pela Petrobras a partir de 31 de agosto.

Energia elétrica mais cara

A conta de luz voltou a ficar mais cara em setembro. A energia elétrica subiu 0,34%, o sétimo mês consecutivo de aumento, embora o ritmo de alta tenha desacelerado em relação ao mês anterior, quando a conta de luz avançou 3,59%.

A energia elétrica acumula um aumento de 13,28% no ano. Em 12 meses, a alta foi de 19,01%. Em ambas as comparações, a energia elétrica foi o segundo maior impacto sobre o IPCA-15, perdendo apenas para a gasolina: uma contribuição de 0,49 ponto porcentual para a inflação acumulada no ano e impacto de 0,67 ponto porcentual para o IPCA-15 em 12 meses.

Em setembro, permanece em vigor a bandeira tarifária vermelha patamar 2, que implica numa cobrança adicional de R$ 0,05 a cada kwh consumido.

O grupo Habitação saiu de alta de 1,10% em agosto para 0,30% em setembro. Além da conta de luz, houve aumentos no gás encanado (0,78%), como reflexo do reajuste de 2,52% nas tarifas no Rio de Janeiro em 1º de agosto, e na taxa de água e esgoto (0,71%), devido a reajustes em Belém, Rio de Janeiro e Belo Horizonte.

Cigarro impulsiona Despesas Pessoais, maior alta entre os grupos

A alta de 1,80% no preço do cigarro pressionou os gastos das famílias com o grupo Despesas Pessoais em setembro. O grupo teve a maior variação entre os grupos no mês de setembro, uma alta de 0,46%, ante elevação de 0,32% em agosto. O cigarro sofreu reajustes em Porto Alegre (3,37%), Curitiba (3,09%) e São Paulo (3,07%). Também impactaram o resultado do grupo os itens serviço bancário (2,03%) e empregado doméstico (0,36%).

O grupo Saúde e cuidados pessoais passou de alta de 0,55% em agosto para aumento de 0,26% em setembro. A desaceleração foi influenciada pela higiene pessoal, que saiu de elevação de 1,20% em agosto para queda de 0,49% em setembro. Por outro lado, o plano de saúde aumentou 0,81% em setembro.

As demais altas no mês ocorreram nos grupos Habitação (0,30%), Artigos de residência (0,32%), Educação (0,10%), Transportes (0,21%), e Comunicação (0,02%). Os preços de Vestuário ficaram estáveis (0,00%), enquanto em Alimentação e bebidas houve deflação de 0,41%.

 

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