Wilton Junior/ Estadão
Wilton Junior/ Estadão

IPCA-15, a prévia da inflação, fecha o ano no maior patamar desde 2015

A gasolina e a energia elétrica mais caras deram uma contribuição de 3,62 pontos percentuais para a taxa de 10,42% registrada em 2021

Daniela Amorim, Maria Regina Silva e Cícero Cotrim, O Estado de S.Paulo

23 de dezembro de 2021 | 09h16

RIO e SÃO PAULO - A prévia da inflação oficial no País desacelerou de 1,17% em novembro para 0,78% em dezembro, mas encerrou o ano ainda no patamar de dois dígitos. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) acumulou uma alta de 10,42% em 2021, maior taxa para um fechamento de ano desde 2015, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

"Desacelerou de novembro para dezembro, mas se espalha mais", afirmou Gustavo Cruz, estrategista da gestora de recursos RB investimentos, lembrando que, tradicionalmente, as empresas aproveitam para fazer repasse de preços em serviços no fim do ano e começo de janeiro.

Segundo ele, a inflação de dois dígitos pode estimular que empresários reajustem alguns preços de serviços no início de 2022. "Então, essa cara da inflação que fecha o ano não é tão boa", acrescentou Cruz, embora acredite que o principal risco para a inflação de 2022 sejam os problemas de desarranjo nas cadeias de produção no mundo.

 

O índice de difusão do IPCA-15, que mostra a proporção de itens investigados com avanços de preços, subiu de 65,7% em novembro para 69,2% em dezembro, calculou o economista-chefe da gestora de recursos Greenbay Investimentos, Flávio Serrano.

“A inflação segue pressionada e acende uma luzinha (de alerta) em relação à composição”, avaliou Mirella Hirakawa, economista-sênior da gestora de fundos AZ Quest.

No mês de dezembro, houve pressão de novos aumentos dos combustíveis. A gasolina teve alta de 3,28%, item de maior impacto individual, uma contribuição de 0,21 ponto porcentual. Houve elevação também no etanol (4,54%) e no óleo diesel (2,22%).

O custo das famílias com transportes avançaram 2,31% em dezembro, o equivalente a praticamente 65% do IPCA-15 registrado no mês. Os preços dos automóveis novos aumentaram 2,11%, enquanto os automóveis usados subiram 1,28%. As passagens aéreas ficaram 10,07% mais caras.

Os aumentos nos custos da energia elétrica e do gás de cozinha também pressionaram o orçamento familiar. A energia elétrica subiu 0,96% em dezembro. O gás encanado teve uma elevação de 2,58%, enquanto o gás de botijão avançou 0,51%, o 19º mês consecutivo de aumentos.

Na alimentação, a alta foi de 0,35%. Apesar do aumento considerável do café moído (9,10%), frutas (4,10%), carnes (0,90%) e cebola (19,40%), ficaram mais baratos o tomate (-11,23%), leite longa vida (-3,75%) e arroz (-2,46%).

Na alimentação fora de casa, houve alta de 1,62% na refeição este mês, mas recuo de 3,47% nos preços do lanche, item que já tinha recuado no IPCA fechado de novembro sob impacto de promoções de grandes cadeias de fast-food por ocasião da Black Friday.

Gasolina e energia elétrica puxam alta

O encarecimento de apenas dois itens na cesta de consumo das famílias ao longo de 2021 foi responsável por mais de um terço da inflação de dois dígitos do fechamento do ano. A gasolina e a energia elétrica mais caras deram uma contribuição de 3,62 pontos porcentuais para a taxa de 10,42% registrada pelo IPCA-15.

A gasolina subiu 49,59% em 2021, item de maior impacto no IPCA-15, 2,42 pontos porcentuais. A energia elétrica aumentou 27,34%, segundo maior impacto, 1,20 ponto porcentual. O automóvel novo subiu 15,20%, impacto de 0,45 ponto porcentual, seguido pelo etanol, com alta de 63,28% e impacto de 0,42 ponto porcentual, e gás de botijão, com elevação de 38,07% e impacto de 0,41 ponto porcentual.

Os gastos das famílias com o grupo Transportes saltaram 21,35% no ano de 2021, uma contribuição de 4,26 pontos porcentuais para o IPCA-15. Já o gastos com Habitação aumentou 14,67%, o equivalente a 2,29 pontos porcentuais do IPCA-15, enquanto Alimentação e bebidas encareceram 8,68%, contribuição de 1,82 ponto porcentual na inflação.

Em 2021, os Artigos de residência subiram 12,18%; Vestuário aumentou 9,83%; Saúde e cuidados pessoais subiram 3,46%; Despesas pessoais subiram 4,61%; Educação aumentou 2,62%; e Comunicação teve elevação de 1,04%.

Problemas tecnológicos

Uma alteração no sistema de armazenamento de dados do IBGE impediu nesta quinta-feira, 23, a divulgação de informações desagregadas do IPCA-15. O site passa por instabilidade desde sexta-feira passada, 17, quando começou uma manutenção programada que deveria ter terminado na segunda-feira, 20.

Segundo o órgão, o problema foi provocado por um “processo de mudança do Datacenter do IBGE, iniciado na sexta-feira (17) e ainda em andamento”. A questão impediu a disseminação das informações do IPCA-15 para o acumulado no ano de 2021 nas localidades investigadas. Também deixaram de ser divulgados os pesos dos subitens nos resultados regionais e a análise do resultado mensal por localidade. O IBGE afirma que essas informações serão publicadas quando o Datacenter do instituto retornar à normalidade.

"A migração para o novo Datacenter foi necessária para garantir benefícios técnicos, funcionais, operacionais e estratégicos ao IBGE. Assim que a mudança for concluída, o Instituto informará a normalização das rotinas e divulgará prontamente os indicadores pendentes", informou o órgão, na nota de divulgação do IPCA-15.

Conforme divulgado pelo Broadcast mais cedo, informações e microdados de indicadores econômicos e levantamentos produzidos pelo instituto estão indisponíveis. O órgão disponibilizou uma página com restrição de dados visualizáveis, que "está sendo exibida com conteúdo mínimo", segundo aviso no site.

"Desculpem-nos pelos transtornos, porém por questões técnicas devido à modernização do Data Center do IBGE, foi necessário adiar o restabelecimento dos nossos serviços. Esperamos em breve retomá-los", informa o instituto em alerta no próprio site.

 

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