Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Prévia da inflação oficial fecha 2015 com alta de 10,71%, o maior índice em 13 anos

Puxado por alimentos e transportes, o IPCA-15 acelerou em dezembro e subiu 1,18%, ante 0,85% em novembro; alta no ano é a maior desde 2002 e ficou bem acima do teto da meta, de 6,5%

Daniela Amorim, O Estado de S. Paulo

18 Dezembro 2015 | 09h10

Atualizado às 10h15

RIO - A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo - 15 (IPCA-15) acelerou em dezembro, puxada por alimentos e transportes. A alta foi de 1,18%, a maior para o mês em 13 anos, ante um avanço de 0,85% em novembro. Com esse resultado, o IPCA-15 fechou o ano em 10,71%, também o maior patamar desde 2002 (11,99%) e bem distante do teto da meta estabelecido pelo governo, de 6,5%. 

O dado ficou dentro das estimativas dos analistas consultados pelo AE Projeções, que esperavam inflação entre 0,94% e 1,21%, mas acima da mediana de 1,12%.

Nesta quinta-feira, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, admitiu pela primeira vez oficialmente que terá de escrever a carta aberta ao ministro da Fazenda, Joaquim Levy, por deixar a inflação superar o teto de 6,5%, descumprindo, assim, as regras do sistema de meta de inflação. Em 17 anos, presidentes do BC tiveram de redigir esta carta aberta em três ocasiões.

Segundo o IBGE, os preços de vários produtos importantes na despesa das famílias tiveram alta expressiva de novembro para dezembro, com destaque para a cebola (26,28%), batata-inglesa (18,13%), tomate (17,60%), açúcar refinado (13,74%) e cristal (13,64%), feijão-carioca (5,60%), hortaliças (5,05%), frutas (4,90%) e óleo de soja (4,78%).

No grupo transportes, o item combustíveis liderou o ranking dos principais impactos individuais do mês. O litro da gasolina, por exemplo, ficou 2,69% mais caro, enquanto o etanol subiu 7,14%. Destaca-se, também, o aumento sazonal de 36,54% das passagens aéreas.

A tarifa de energia elétrica também subiu em dezembro: 0,95%. Houve impacto, sobretudo, da alta de 8,34% na conta de luz da região metropolitana do Rio de Janeiro, onde as tarifas de uma das concessionárias foram reajustadas em 16%. No ano de 2015, o grupo habitação registrou a maior variação: alta de 18,51%. 

A segunda maior elevação foi de alimentação e bebidas, 12,16%, seguida por transportes, com aumento de 10,27%. Os demais resultados anuais no IPCA-15 de 2015 foram: Despesas Pessoais (9,51%), Educação (9,29%); Saúde e cuidados pessoais (9,12%); Artigos de residência (4,73%), Vestuário (4,33%); e Comunicação (2,17%). 

Entenda. O IPCA-15 refere-se às famílias com rendimento de 1 a 40 salários mínimos e abrange as regiões metropolitanas do Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife, São Paulo, Belém, Fortaleza, Salvador e Curitiba, além de Brasília e Goiânia. A metodologia utilizada é a mesma do IPCA, o índice oficial de inflação, a diferença está no período de coleta dos preços e na abrangência geográfica.

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