Ed Ferreira/Estadão
Ed Ferreira/Estadão

Prévia da inflação fica em 0,78% em janeiro, no maior resultado para o mês desde 2016

A energia elétrica, que subiu 3,14%, foi o item que mais pesou no avanço do IPCA-15 este mês, segundo o IBGE

Vinicius Neder, Gregory Prudenciano e Thaís Barcellos, O Estado de S.Paulo

26 de janeiro de 2021 | 09h22
Atualizado 26 de janeiro de 2021 | 13h00

RIO e SÃO PAULO - O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo - 15 (IPCA-15), prévia do indicador oficial de inflação do País, avançou 0,78% em janeiro, um alívio ante o 1,06% de dezembro. Foi a maior taxa para meses de janeiro desde 2016. Mesmo com o alívio, economistas reforçaram a preocupação com uma inflação mais espalhada e com reajustes nos próximos meses.

Como esperado, a inflação no início de janeiro foi concentrada nos alimentos e na conta de luz. Tanto que os grupos alimentação e bebidas e habitação - no qual entra a conta de luz - responderam por 69% da alta de 0,78% no índice agregado, informou nesta terça-feira, 26, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Em parte, a alta média dos preços foi menor em janeiro, em relação a dezembro, porque houve alívios nesses dois grupos. Alimentação e bebidas ficaram 1,53% mais caras no IPCA-15 de janeiro, ante 2,0% em dezembro. O custo geral com habitação avançou 1,44% ante 1,50% de dezembro.

Na alimentação, o alívio foi puxado pelos preços dos alimentos comprados para consumir em casa, que ficaram, em média, 1,73% mais caros em janeiro, ante um salto de 2,57% em dezembro. O destaque foi o recuo médio de 4,14% nos preços do tomate. Além disso, os preços das carnes (1,18%), do arroz (2,00%) e da batata-inglesa (12,34%) subiram menos, já que, em dezembro, avançaram 5,53%, 4,96% e 17,96%, respectivamente.

No grupo habitação, o alívio veio da conta de luz. Em janeiro, vigorou a bandeira tarifária amarela, que impõe taxa adicional menor do que a bandeira vermelha, que vigorou em dezembro - as taxas adicionais, conforme a cor das bandeiras, são introduzidas em função do acionamento, menor ou maior, de usinas térmicas, cujo custo de geração é maior. Mesmo assim, a energia elétrica, com alta de 3,14%, foi o item de maior impacto individual no avanço do IPCA-15 de janeiro. Em dezembro, a alta foi de 4,08%.

“Estamos em um cenário de inflação mais moderada do que nos últimos quatro meses, mas ainda é uma inflação pesada”, disse o economista-chefe da consultoria MB Associados, Sérgio Vale. “Teremos o impacto dos reajustes em educação no mês que vem, vamos precisar acompanhar. Além de educação, há reajustes represados em outros setores importantes, como em Saúde, caso dos remédios e dos planos de saúde. Tudo isso tem que ser acompanhado porque podem fazer pressão na inflação”, completou.

Para o economista-chefe do Banco Alfa, Luis Otávio Souza Leal, “o número geral” da prévia do IPCA de janeiro “camufla o resultado não muito bom”. Isso porque, apesar do alívio no agregado, em relação a dezembro, os “núcleos” do índice - um cálculo que exclui as maiores variações, tanto para cima quanto para baixo - avançaram a uma taxa mais forte em janeiro do que no último mês de 2020.

“O índice geral ficou mais baixo por motivos pontuais, no caso da minha projeção, por causa de passagem aérea e mobiliário. E alimentação segue bem pressionada, a taxa foi menor, mas mais itens subiram, influenciando a alta do indicador de difusão”, disse Leal.

O índice de difusão mede a proporção dos itens pesquisados no IPCA-15 que registraram alta de preços. O IBGE não faz esse cálculo nas prévias, mas, nas contas do economista Leonardo França Costa, do banco de investimentos ASA Investments, 73,80% dos itens pesquisados no IPCA-15 registraram alta em janeiro. Em dezembro, a difusão ficou em 63,20%.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.