Gabriela Biló/Estadão -26/9/2018
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Prévia da inflação, IPCA-15 tem o menor resultado para janeiro desde início do Plano Real

Índice registrou alta de 0,30% neste mês, após recuo de 0,16% em dezembro; maior impacto no resultado foi aumento nos preços dos alimentos

Daniela Amorim, O Estado de S.Paulo

23 de janeiro de 2019 | 10h35

RIO - O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) teve alta de 0,30% em janeiro, após ter recuado 0,16% em dezembro, informou nesta quarta-feira, 23, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Esse aumento é o menor para o mês desde a implantação do Plano Real, em 1994.

A taxa acumulada em 12 meses ficou em 3,77%, abaixo do centro da meta de 4,25% perseguida pelo Banco Central para 2019. Em janeiro do ano passado, a taxa do IPCA-15 foi de 0,39%.

Analistas do mercado financeiro consultados pelo Projeções Broadcast esperavam uma alta entre 0,27% e 0,51% para janeiro, com mediana de 0,33%. Para o resultado em 12 meses, as projeções iam de avanço de 3,46% a 3,99%. 

Dois dos nove grupos do IPCA-15 registraram deflação em janeiro: as famílias gastaram menos no mês com Transportes (-0,47%) e Vestuário (-0,16%).

O grupo Alimentação e bebidas teve a maior alta, um avanço de 0,87%, que resultou mais intenso impacto de grupo, uma contribuição de 0,22 ponto porcentual para a inflação de 0,30% registrada pelo IPCA-15 de janeiro.

O grupo Saúde e cuidados pessoais, com elevação de 0,68%, apresentou o segundo maior impacto positivo no índice do mês, 0,08 ponto porcentual. A alta no grupo foi puxada pelos itens de higiene pessoal, que subiram 2,23% em janeiro, depois de registrarem queda de 4,46% em dezembro.

Os demais avanços em janeiro ocorreram nos grupos Habitação (0,08%), Artigos de residência (0,58%), Despesas pessoais (0,43%), Educação (0,31%) e Comunicação (0,06%).

Comida mais cara

As famílias brasileiras gastaram 0,87% mais com alimentação em janeiro, após a alta de 0,35% registrada em dezembro de 2018, segundo o IBGE. O grupo foi o de maior impacto sobre o IPCA-15, com contribuição de 0,22 ponto porcentual, o equivalente a mais de dois terços da inflação do mês. O custo da alimentação no domicílio subiu 1,07%, após o avanço de 0,22% em dezembro.

Os preços das frutas passaram de uma alta de 1,12% em dezembro para aumento de 6,52% em janeiro, enquanto as carnes aceleraram de avanço de 0,92% para 1,72% no mesmo período. Outros itens importantes na cesta básica das famílias com altas expressivas em janeiro de 2019 foram cebola (17,50%) e batata-inglesa (11,27%).

A alimentação fora de casa passou de alta de 0,58% em dezembro para uma elevação de 0,53% em janeiro. O destaque foi a desaceleração na refeição consumida fora do domicílio (de 0,67% em dezembro para 0,39% em janeiro).

O impacto dos transportes

A gasolina voltou a ficar mais barata em janeiro, ajudando a aliviar a inflação medida pelo IPCA-15. O litro ficou 2,73% mais barato, o segundo mês consecutivo de redução. O item exerceu o maior impacto individual negativo sobre o índice de janeiro, ajudando a conter a inflação do mês em -0,12 ponto porcentual. A região metropolitana de Salvador foi a única onde a gasolina aumentou (2,38%). As demais áreas apresentaram quedas de preços, que variaram entre -5,99%, em Fortaleza, e -1,38%, em Goiânia.

Os preços do etanol recuaram 1,17%, enquanto o óleo diesel ficou 3,43% mais barato. Como resultado, o grupamento combustíveis teve redução de 2,40%.

As passagens aéreas também tiveram queda em janeiro, de 3,94%, depois do salto de 29,61% registrado em dezembro.

Por outro lado, as tarifas de ônibus pressionaram o orçamento das famílias no primeiro mês de 2019, com avanços nos ônibus interestaduais (2,63%), ônibus intermunicipais (1,12%) e nos ônibus urbanos (1,04%).

Em São Paulo houve ainda reajuste nas tarifas de trem (0,75%) e de metrô (0,75%). No Rio de Janeiro, subiram as tarifas de táxi (1,87%).

Os custos dos Transportes saíram de um recuo de 0,93% em dezembro de 2018 para queda de 0,47% em janeiro de 2019. Apesar da desaceleração no ritmo de queda, o grupo ajudou a conter a inflação em -0,09 ponto porcentual, maior contribuição negativa para a taxa de 0,30% registrada pelo IPCA-15 de janeiro.

A conta de luz voltou a dar uma trégua ao orçamento das famílias em janeiro. A energia elétrica recuou 0,73% em janeiro, no quarto mês consecutivo de recuos. Em dezembro, a redução tinha sido de 3,61%. Desde o início de dezembro está vigorando a bandeira tarifária verde, sem cobrança adicional na conta de luz.

Os gastos das famílias com Habitação passaram de uma queda de 0,52% em dezembro para uma alta de 0,08% em janeiro. A taxa de água e esgoto subiu 0,70% este mês, refletindo reajustes no Rio de Janeiro e em Porto Alegre. Já o gás encanado aumentou 1,69%, devido ao reajuste de 7,20% nas tarifas no Rio de Janeiro em 1.º de janeiro.

 

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