Prévia da inflação oficial cai de 0,53% para 0,42%

Em 12 meses, IPCA-15 deu o primeiro recuo desde julho de 2010, de 7,33% para 7,12%; resultado ameniza preocupações em relação à queda da Selic

DANIELA AMORIM / RIO , O Estado de S.Paulo

21 de outubro de 2011 | 03h03

Os preços dos alimentos deram uma trégua e a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo - 15 (IPCA-15), considerado uma prévia da inflação oficial, desacelerou de setembro para outubro, de 0,53% para 0,42%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O resultado amenizou as preocupações do mercado quanto aos efeitos que a política monetária do Banco Central, que reduziu mais uma vez a taxa básica de juros, poderia ter sobre a trajetória dos preços, mesmo no longo prazo. Analistas já revisaram para baixo suas projeções para o IPCA cheio de outubro. No acumulado em 12 meses, o IPCA-15 apresentou o primeiro recuo desde julho de 2010, de 7,33% em setembro para 7,12% em outubro. O movimento indica haver possibilidade de a inflação terminar o ano sem ultrapassar o teto da meta do governo, de 6,5%.

Além dos produtos alimentícios, itens de vestuário e despesas com empregados domésticos subiram menos, contribuindo para a desaceleração. O mesmo ocorreu com os custos de passagens aéreas e combustíveis, que não aumentaram tanto quanto no mês passado, embora continuem em níveis altos.

"A nossa previsão é que a inflação em 2011 fique dentro do teto da meta, em 6,3%", disse Flávio Combat, economista-chefe da Concórdia Corretora, que revisou de 0,45% para 0,40% a inflação pelo IPCA cheio de outubro. "A inflação nos últimos meses estava bastante pressionada pelos alimentos, por causa do período de entressafra. Mas já houve arrefecimento dos preços (dos alimentos) no atacado e a tendência se mantém até o fim do ano."

Leite pasteurizado, frango, frutas e carnes reduziram o ritmo de aumento, enquanto produtos como hortaliças, tomate e alho ficaram consideravelmente mais baratos. Os itens não alimentícios medidos pelo IPCA-15 também desaceleraram, com destaque ainda para vestuário, que subiu menos em outubro (0,38%), após alta de 1% na leitura anterior. Os preços das roupas masculinas chegaram a cair 0,13%.

O aumento moderado das despesas pessoais (0,22%) também teria sido preponderante para acalmar a trajetória da inflação, na avaliação do economista Thiago Curado, da Tendências Consultoria Integrada. Os gastos com empregados domésticos subiram apenas 0,10% em outubro. "A desaceleração dos serviços e das despesas pessoais veio bem forte e surpreendeu, porque ela foi contra uma sazonalidade muito clara, sobretudo por não ter sido notada também nas despesas com saúde e alimentação fora da residência, que subiram mais", contou Curado, que revisou a projeção do IPCA de outubro de 0,50% para 0,45%.

Os preços das passagens aéreas subiram menos em outubro, mas ainda pressionaram a taxa global. Aumentaram 14,23% (ante 23,4%), mantendo o item como o maior impacto individual (0,07 ponto porcentual) sobre a inflação de 0,42% do mês.

No grupo transportes, houve desaceleração também nos preços dos combustíveis, que ainda apontam alta: o etanol subiu 1,17% em outubro, enquanto a gasolina ficou 0,11% mais cara.

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