Prévia da inflação oficial do governo fecha o ano abaixo de 3%

IPCA-15 terminou 2017 em 2,94%, reforçando as análises de que o IPCA ficará abaixo do piso da meta do Banco Central

Daniela Amorim, O Estado de S.Paulo

21 Dezembro 2017 | 23h37

RIO - A prévia da inflação oficial no País encerrou 2017 em 2,94%, abaixo do piso de tolerância da meta estabelecida pelo governo. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) registrou pequena aceleração em relação a novembro, com taxa de 0,35% em dezembro, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O resultado ficou dentro das previsões dos analistas e corroborou a expectativa de que o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, tenha de se explicar em carta aberta ao ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, por ter entregado uma inflação fora do intervalo de tolerância, de 3% a 6% no ano.

Nos cálculos do economista Helcio Takeda, da consultoria Pezco, a inflação medida pelo IPCA deve fechar 2017 perto de 2,90%. Entretanto, esse descumprimento da meta não deve ser visto como algo desfavorável nem embasar críticas contra a autoridade monetária, defendeu. “Não vejo como um fato que mereça crítica. Boa parte desse alívio é explicado pela deflação de alimentos, que depende da dinâmica de safra, e não é o foco da política monetária.”

Os alimentos voltaram a ficar mais baratos no último mês do ano, na apuração do IPCA-15. As famílias pagaram menos pelo feijão carioca, batata-inglesa, tomate, frutas e carnes industrializadas. Ficaram mais caros o óleo de soja e as carnes in natura. No ano, as famílias gastaram 2,15% menos com alimentação e bebidas.

Em dezembro, pesaram os aumentos no gás de cozinha, na energia elétrica e nas passagens aéreas. A principal pressão sobre o orçamento das famílias, porém, foi da elevação de 2,75% no preço da gasolina.

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Divisão de Pesquisa Macroeconômica do Itaú Unibanco prevê que o IPCA tenha alta ao redor de 0,30% em dezembro. Isso faria a inflação oficial encerrar o ano em 2,80%, bem abaixo dos 6,29% registrados no ano passado.

“Assim como no IPCA-15, a principal contribuição de alta no mês (IPCA de dezembro) virá do grupo transportes, ainda refletindo alta dos combustíveis e da passagem aérea. Por outro lado, o grupo habitação deve apresentar variação negativa, em razão da queda na conta de luz”, escreveu Elson Teles, economista do Itaú Unibanco, em relatório.

A tarifa de energia elétrica diminuiu o ritmo de alta no IPCA-15, de 4,42% em novembro para 0,77% em dezembro. O movimento ocorreu pela troca de bandeiras tarifárias. A partir de 1.º de dezembro, passou a vigorar a bandeira vermelha patamar 1, com custo adicional de R$ 0,03 a cada quilowatt-hora consumido. Ela substituiu a bandeira tarifária vermelha patamar 2, que implicava custo adicional de R$ 0,05 por quilowatt-hora consumido.

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Com o IPCA abaixo do piso da meta inflacionária, os consumidores devem ficar mais otimistas com o comportamento dos preços na economia nos próximos meses. A expectativa é que a previsão para a inflação futura caia quase um ponto porcentual até o fim do primeiro trimestre de 2018, apontou o economista Pedro Costa Ferreira, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV).

A mediana da inflação esperada pelos consumidores para os próximos 12 meses diminuiu de 5,9% em novembro para 5,8% em dezembro – ligeiro recuo de 0,1 ponto porcentual, segundo o Indicador de Expectativa de Inflação dos Consumidores divulgado ontem pela FGV. “Ao fim do primeiro trimestre estaremos perto dos 5%, quem sabe até no patamar de 4%, e ficaremos nesse nível ao longo dos meses seguintes”, disse Ferreira.

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O indicador alcançou em dezembro o nível mais baixo desde fevereiro de 2008. De fevereiro do ano passado, quando teve início a trajetória de queda, já houve queda acumulada de 5,6 pontos porcentuais. Em 2017, a expectativa de inflação futura caiu cerca de três pontos. Em dezembro, 44,9% dos consumidores projetaram inflação dentro do intervalo de tolerância da meta. Valores abaixo do piso de 3% foram citados por 20,4% dos pesquisados. / COLABOROU MARIA REGINA SILVA

 

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