Prévia da inflação oficial recua para 0,10% em julho

Uma queda generalizada nos preços dos alimentos fez com que a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo - 15 (IPCA-15), considerado uma prévia da inflação oficial, desacelerasse para 0,10% em julho, após alta de 0,23% em junho, segundo o IBGE.

Daniela Amorim / RIO, O Estado de S.Paulo

21 de julho de 2011 | 00h00

O resultado ficou no piso das previsões do mercado e analistas já revisaram para baixo suas previsões para a inflação de julho. Mas a desaceleração não deve ser tão intensa, já que o preço do etanol voltou a subir, reduzindo o ritmo de queda da gasolina.

Em julho, o grupo alimentação e bebidas teve recuo de 0,39% nos preços, o que correspondeu a um impacto de -0,09 ponto no resultado do IPCA-15. Entre os alimentos que ficaram mais baratos, estão a cenoura, tomate, frutas, hortaliças, batata-inglesa, frango, carnes e arroz.

As despesas com habitação e vestuário também surpreenderam e diminuíram o ritmo de alta em julho. Enquanto o aluguel residencial subiu menos e o condomínio ficou mais barato, a época de liquidação fez a alta dos preços de vestuário recuar de 1,28% em junho para 0,15% em julho.

A trajetória descendente do IPCA-15 fez a economista-chefe da corretora Icap Brasil, Inês Filipa, reduzir sua projeção para a inflação oficial em julho, de 0,25% para 0,20%. "Acabou surpreendendo não só alimentos, como também vestuário. No IPCA de julho, o grupo transportes vai acelerar, mas esses dois grupos vão segurar o IPCA."

O resultado do índice também mudou a projeção da LCA Consultores para a próxima leitura do IPCA, que passou de 0,24% para 0,19%. Fábio Romão, economista da LCA, destacou como surpreendente também a desaceleração do grupo habitação. "Vale lembrar que o aluguel é indexado ao IGP-M e, no fim de 2010, o acumulado em 12 meses estava em 11,30%, cedendo para 8,60% no acumulado até junho."

Para o economista da LCA, o IPCA de julho deve ter resultado maior do que a prévia, por causa de uma aceleração no grupo transportes e um recuo menor em alimentação e bebidas.

Mesmo tendo exercido o principal impacto negativo no índice, de -0,06 ponto, a gasolina recuou 1,49% em julho, ante uma queda mais acentuada na leitura anterior, de 3,43%. Já a alta do etanol foi de 1,79% em julho, após recuo de 16,53% em junho. / COLABOROU MÁRCIO RODRIGUES

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