Daniel Teixeira/ Estadão
Daniel Teixeira/ Estadão

Prévia da inflação sobe 0,23% em agosto, no maior resultado para o mês em 3 anos

Aumento nos combustíveis pesou no resultado do IPCA-15, divulgado nesta terça pelo IBGE; principal impacto negativo no indicador foi do grupo educação, por causa dos descontos nas mensalidades escolares

Daniela Amorim e Cícero Cotrim, O Estado de S.Paulo

25 de agosto de 2020 | 10h08
Atualizado 25 de agosto de 2020 | 16h08

RIO e SÃO PAULO - Os descontos nas mensalidades escolares decorrentes da suspensão das aulas presenciais durante a pandemia do novo coronavírus frearam a prévia da inflação oficial no País em agosto. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo - 15 (IPCA-15) desacelerou de uma alta de 0,30% em julho para um avanço de 0,23%, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Embora não tenha surpreendido, o resultado ainda foi o mais elevado para o mês desde 2017. A taxa acumulada pelo IPCA-15 em 12 meses subiu a 2,28%, ante uma meta de 4% perseguida pelo Banco Central este ano.

Em agosto, o grupo Educação teve deflação de 3,27%, o equivalente a uma contribuição negativa de 0,21 ponto porcentual para o IPCA-15. Os descontos concedidos por diferentes instituições de ensino desde o início da pandemia foram apropriados pelo IPCA-15 apenas em agosto. Os preços dos cursos regulares recuaram 4,01%, mas a maior queda foi observada na pré-escola (-7,30%), seguida por cursos de pós-graduação (-5,83%) e educação de jovens e adultos (-4,74%). O custo do ensino superior encolheu 3,91%.

"Eu esperava uma queda de 2,0% em cursos regulares e veio 4,0%, acabou surpreendendo. Como é um item que praticamente repete a taxa do IPCA-15, tem um viés de baixa na minha estimativa de 0,12% para o IPCA de agosto", disse o economista-chefe da Ativa Investimentos, Étore Sanchez.

Segundo o economista João Fernandes, da gestora de recursos Quantitas, a queda nos gastos das famílias com Educação foi relevante e deve ajudar a reduzir a inflação no fechamento de 2020.

"Isso é relevante porque vai continuar pressionando para baixo até fevereiro, quando tem a próxima coleta, mas vai fazer pressão para cima no IPCA de 2021, quando as aulas voltarem e os descontos forem retirados", afirmou Fernandes, que manteve sua projeção de 1,8% para o IPCA de 2020, seguido por uma alta de 2,8% em 2021.

Por outro lado, os combustíveis mais caros ainda pressionaram o orçamento das famílias em agosto. A gasolina avançou 2,63%, item de maior pressão individual sobre a inflação, responsável por mais da metade do IPCA-15, 0,12 ponto porcentual. O óleo diesel ficou 3,58% mais caro, enquanto o gás veicular subiu 0,47%. Por outro lado, o etanol caiu 0,28%.

As passagens aéreas ficaram 1,88% mais baratas em agosto. Também recuaram o transporte por aplicativo (-6,75%) e o seguro de veículo (-1,92%, com impacto de -0,02 ponto porcentual no IPCA-15 de agosto).

O grupo Alimentação e bebidas passou de um recuo de 0,13% em julho para um aumento de 0,34% em agosto. Os alimentos para consumo no domicílio subiram 0,61%, impulsionados especialmente pelos aumentos nas carnes (3,06%), leite longa vida (4,36%) e frutas (2,47%). Arroz (2,22%) e pão francês (0,99%) também subiram. Por outro lado, as famílias pagaram menos pelo tomate (-4,20%), cebola (-8,04%), alho (-8,15%) e batata-inglesa (-17,16%, com impacto de -0,03 ponto porcentual no IPCA-15).

A alimentação fora do domicílio teve um recuo de 0,30%, porque a refeição fora de casa ficou 0,52% mais barata. Em Habitação, a energia elétrica aumentou 1,61%. Houve reajustes tarifários em Belém, São Paulo, Fortaleza, Salvador, Recife, Belo Horizonte e Porto Alegre. As únicas áreas onde os preços da energia elétrica recuaram foram Curitiba e Brasília, devido às reduções nas alíquotas de PIS/Cofins.

As famílias pagaram gastaram mais com alguns materiais de construção, como cimento (5,26%), tijolo (4,83%) e areia (1,53%).

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