JF Diório/Estadão
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Prévia da inflação sobe 0,71% em janeiro, maior resultado para o mês desde 2016

Aumento no preço das carnes perdeu força, mas ainda foi o item que mais pesou no avanço do IPCA-15

Daniela Amorim, O Estado de S.Paulo

23 de janeiro de 2020 | 11h08

RIO - O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo -15 (IPCA-15), uma prévia da inflação oficial, registrou alta de 0,71% em janeiro, após ter avançado 1,05% em dezembro, informou nesta quinta-feira, 23, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Esse foi o maior resultado para o mês desde 2016, quando a elevação foi de 0,92%. Em janeiro de 2019, o IPCA-15 foi de 0,30%. 

Como consequência, a taxa acumulada em 12 meses passou de 3,91% em dezembro para 4,34% em janeiro. O resultado deste mês ficou praticamente em linha com a mediana das estimativas dos analistas do mercado financeiro consultados pelo Projeções Broadcast, calculada em 0,70%. O intervalo ia de 0,55% a 0,76%.

A alta no preço das carnes perdeu força, mas o item ainda foi o principal fator de pressão no IPCA-15. As carnes, que já tinham subido 17,71% em dezembro, ficaram 4,83% mais caras em janeiro, item de maior impacto no IPCA-15, contribuindo com 0,15 ponto porcentual. Como consequência, o grupo alimentação e bebidas teve a maior variação neste mês, com alta de 1,83%, maior contribuição de grupo para a inflação, de 0,45 ponto porcentual.

O custo da alimentação no domicílio subiu 2,30%, com pressões também das frutas (3,98%) e do frango inteiro (4,96%). Por outro lado, as famílias pagaram menos pela cebola (-5,43%). A alimentação fora do domicílio subiu 0,99%.

A segundo maior contribuição individual para o IPCA-15 do mês foi da gasolina, o equivalente a 0,11 ponto porcentual. O combustível, que já tinha subido 1,49% em dezembro, teve alta de 2,64% em janeiro. Todas as regiões pesquisadas apresentaram elevação de preços, de 0,58% em Belém até 4,60% em Fortaleza.

O etanol subiu 4,98%, enquanto o óleo diesel aumentou 1,47%. Como consequência, as famílias gastaram 0,92% a mais com transportes em janeiro, um impacto de 0,17 ponto porcentual para o IPCA-15. Também pesaram mais o ônibus urbano, com alta de 0,30%, puxada pelos reajustes de tarifas em Brasília e São Paulo.

Em São Paulo, houve também reajustes nas passagens de trem e metrô. Na média nacional, o trem subiu 0,61%, enquanto o metrô aumentou 0,69%.

O táxi ficou 0,28% mais caro, em função do reajuste médio de 2,20% nas tarifas do Rio de Janeiro desde 2 de janeiro. As passagens dos ônibus interestaduais subiram 2,91%. Por outro lado, as passagens aéreas recuaram 6,45%, depois de os preços terem aumentado 15,63% em dezembro.

Entre os gastos com habitação, a energia elétrica ficou 2,11% mais barata, representando o maior impacto individual negativo (-0,08 ponto porcentual) no IPCA-15. Todas as regiões pesquisadas apresentaram variações negativas, que foram desde uma queda de 0,61% em São Paulo até um recuo de 4,46% em Fortaleza, onde houve redução da alíquota de PIS/Cofins. De dezembro para janeiro, a bandeira tarifária amarela permaneceu em vigor, com cobrança extra de R$ 1,343 a cada 100 quilowatts-hora consumidos.

Por outro lado, o gás encanado subiu 0,49%, como consequência do reajuste de 2,45% nas tarifas do Rio de Janeiro em 1º de janeiro. A taxa de água e esgoto aumentou 0,25%, devido ao reajuste de 18% nas tarifas de Belém desde 14 de dezembro.

O gás de botijão teve elevação de 0,21%, após o reajuste de 5% concedido pela Petrobrás no preço do botijão de 13 kg, nas refinarias, no dia 27 de dezembro. 

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