Prévia da inflação sobe, puxada pelo setor de serviços

Inflação medida pelo IPCA-15 em agosto foi de 0,39% e economista já aposta em apenas um corte da taxa Selic até o fim do ano

FERNANDA NUNES / RIO, O Estado de S.Paulo

23 de agosto de 2012 | 03h08

A inflação voltou ao foco das análises econômicas, que apontam a demanda como uma variável predominante nas avaliações do governo sobre a condução da política econômica daqui para frente. Em agosto, a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) avançou 0,39%, com destaque para os preços dos veículos e de serviços, que voltaram a subir, uma demonstração da disposição do brasileiro de retomar o consumo. No ano, o IPCA-15 acumulado é de 3,32% e em 12 meses, de 5,37%.

A redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), que havia puxado para baixo os preços dos automóveis e contribuído para conter a inflação, já não surte o mesmo efeito. Neste mês, os preços dos carros novos variaram 0,04%, ante a queda de 2,74% em julho. Enquanto a inflação de veículos usados passou de -2,45% para -0,15%. Já o grupo de serviços avançou 0,61%, segundo cálculo do Espírito Santo Investment Bank (Besi Brasil). O IBGE não divulga a inflação de serviços no IPCA-15.

"A alta dos serviços demonstra que o período de desaquecimento da demanda acabou", diz o economista do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV) Samuel Pessôa. Ele aposta que, por causa da inflação, o Banco Central promoverá um único corte na Selic até o fim do ano, contrariando a previsão de muitos analistas, que apostam em dois cortes. "Não descarto que seja um único corte de 0,25 ponto porcentual." Caso a projeção de Pessôa se concretize, a taxa básica de juros fechará 2012 em 7,25%.

Também para a economista da Rosenberg & Associados Priscila Godoy, os indicadores de inflação vão exigir mais monitoramento. Apesar de os preços dos alimentos já não pressionarem a inflação como antes, tendo registrado variação de 0,76% em agosto ante 0,88% em julho, a redução do IPI já completou o seu ciclo e não é mais capaz de aliviar os indicadores, segundo a economista. "Nossa expectativa de inflação para o fim do ano é de 5,1%, mas se os indicadores de núcleo continuarem acelerando teremos dificuldades para essa projeção ser confirmada", disse Priscila.

O alívio dos preços captado no primeiro semestre deste ano foi induzido pelas medidas fiscais do governo, acredita o economista sênior do Besi Brasil, Flávio Serrano. "Com a melhora esperada para a economia no segundo semestre, a inflação deverá acelerar mais fortemente nos meses de novembro e dezembro", prevê Serrano, que aposta numa inflação de 5,2% no fechamento de 2012. / COLABORARAM FRANCISCO CARLOS DE ASSIS E DENISE ABARCA

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