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Marcos Santos/USP Imagens
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Prévia da inflação tem alta de 0,83% em junho, puxada por combustíveis e energia elétrica

IPCA-15 acelerou em relação a maio, quando ficou em 0,44%; no acumulado em 12 meses, índice já chega a 8,13%, segundo o IBGE

Daniela Amorim, Thaís Barcellos e Guilherme Bianchini, O Estado de S.Paulo

25 de junho de 2021 | 09h15

RIO e SÃO PAULO - O encarecimento da gasolina e da energia elétrica impulsionou a prévia da inflação oficial no País em junho. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) acelerou de 0,44% em maio para 0,83%, informou nesta sexta-feira, 25, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Embora não tenha surpreendido, o resultado indica um cenário inflacionário ainda desconfortável, avaliam economistas. O IPCA-15 acumulado em 12 meses subiu a 8,13% em junho, o resultado mais elevado desde outubro de 2016.

"Quando saírem da conta esses fatores pontuais, a tendência é que se tenha uma inflação na margem mais tranquila. Mas o quadro geral é de uma inflação que preocupa, que deve ficar longe do centro da meta em 2021 (3,75%) e colocar sob pressão as estimativas para 2022", aponta a economista-chefe da Consulenza Investimentos, Helena Veronese.

 

A expectativa de um aumento nos preços de serviços com a abertura econômica e o avanço de vacinação também corrobora uma chance maior de que o Banco Central decida por uma elevação mais forte da taxa básica de juros, a Selic, em agosto, prevê Veronese.

"Esses números e os próximos que vão ser divulgados aumentam a chance de uma alta de 1 ponto da Selic", opinou a economista.

Itens de maior pressão sobre a inflação de junho, a gasolina subiu 2,86%, enquanto a energia elétrica aumentou 3,85%. Cada um deu uma contribuição de 0,17 ponto porcentual para a taxa registrada pelo IPCA-15, o equivalente a mais de 40% da inflação do mês. No entanto, houve pressão também disseminada por outros itens, uma vez que todos os nove grupos de produtos e serviços pesquisados registraram avanços de preços em junho.

A alta na energia elétrica foi impulsionada pelo acionamento da bandeira vermelha patamar 2 em junho, com acréscimo de R$ 6,243 a cada 100 kWh consumidos, após ter vigorado a bandeira vermelha patamar 1 em maio, que adiciona um valor menor na conta de luz (R$ 4,169 para os mesmos 100kWh consumidos). A taxa de água e esgoto (2,45%) e o gás encanado (5,20%) também ficaram mais caros.

Nos transportes, as famílias pagaram mais pelo gás veicular (12,41%), etanol (9,12%) e óleo diesel (3,53%). Na direção oposta, as passagens aéreas caíram 5,63%, após já terem ficado 28,85% mais baratas no mês anterior.

Os gastos das famílias com alimentação e bebidas subiram menos em junho. A alimentação no domicílio teve um avanço de 0,15%, devido a recuos nos preços das frutas (-6,44%), batata-inglesa (-9,41%), cebola (-10,32%) e arroz (-1,91%). Por outro lado, as carnes subiram 1,14%, e houve aumentos no leite longa vida (2,57%) e alguns derivados, como o queijo (1,99%).

A alimentação fora do domicílio acelerou de uma alta de 0,43% em maio para um avanço de 1,08% em junho, impulsionada pela refeição fora de casa (0,86%) e pelo lanche (1,67%). Segundo o IBGE, as altas podem ser explicadas, em parte, pelos aumentos nos preços de proteínas, como carne e queijos, mas também pelo repasse da alta de custos como transporte e energia.

"A inflação de restaurantes surpreendeu e está muito relacionada ao choque de alimentos do ano passado. Quando as coisas voltarem ao normal, existe o risco de os restaurantes fazerem um repasse ainda maior e a sensação de alta em serviços surpreender", avaliou o economista Daniel Karp, do banco Santander Brasil.

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