DANIEL TEIXEIRA/ESTADÃO
DANIEL TEIXEIRA/ESTADÃO

Prévia da inflação tem menor resultado para setembro em 11 anos

Alta de 0,11% foi o resultado mais baixo para o mês desde 2006, quando ficou em 0,05%; deflação nos alimentos ajudou a conter aumento nos combustíveis e passagens aéreas

O Estado de S.Paulo

21 Setembro 2017 | 09h25

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo - 15 (IPCA-15), conhecido como a prévia da inflação oficial, registrou em setembro seu menor patamar desde 2006. Puxado sobretudo pela queda nos preços dos alimentos, o indicador ficou em 0,11%, ante um crescimento de 0,35% registrado em agosto. Em 2006, os preços subiram em setembro 0,05%.

O resultado, divulgado nesta quinta-feira, 21, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ficou dentro das estimativas dos analistas do mercado financeiro consultados pelo Projeções Broadcast, que esperavam uma alta entre 0,05% e 0,30%, com mediana positiva de 0,14%.

Os alimentos voltaram a ficar mais baratos em setembro. O grupo alimentação e bebidas registrou um recuo de 0,94% nos preços, após já ter diminuído 0,65% em agosto. 

O grupo, responsável por cerca de 25% da cesta de desembolsos das famílias, foi responsável por um impacto de -0,23 ponto porcentual sobre a taxa de 0,11% do IPCA-15 de setembro. O resultado foi suficiente para neutralizar o aumento nas despesas com transportes no mês (1,25% de alta, uma contribuição de 0,22 ponto porcentual).

Os preços dos alimentos consumidos em casa recuaram 1,54%, com destaque para o tomate (-20,94%), o feijão-carioca (-11,67%), o alho (-7,96%), o açúcar cristal (-4,71%) e o leite longa vida (-3,83%).

Todas as regiões pesquisadas tiveram quedas na alimentação no domicílio, com variações que foram de uma redução de 1,90% em Goiânia até recuo de 0,99% em Belém. A alimentação fora de casa, porém, aumentou 0,14% no IPCA-15. O maior avanço foi registrado em Salvador (0,90%). Em Curitiba houve redução de 1,50%.

Combustíveis. Na outra ponta, a vilã dos preços registrados pelo indicador é a categoria de transportes, devido aos efeitos de alta em passagem aérea e o impacto final do aumento do PIS/Cofins sobre os combustíveis. 

O encarecimento dos combustíveis puxou o aumento de 1,25% nas despesas das famílias com transportes em setembro. Responsável por 18% do orçamento das famílias, o grupo contribuiu com 0,22 ponto porcentual para a taxa da inflação do mês. Os combustíveis ficaram 3,43% mais caros. O litro da gasolina subiu 3,76%, enquanto o etanol aumentou 2,57%. Já as passagens aéreas subiram 21,30%.

Entenda. O IPCA-15 é considerado pelo mercado como uma prévia para a inflação oficial do mês, o IPCA. Produzido pelo IBGE, o indicador leva em consideração a mesma cesta de produtos e serviços do IPCA, mudando o período de cálculo. Os pesquisadores colhem preços nos últimos quinze dias do mês anterior, no caso, em agosto, e nos quinze dia do mês vigente, ou seja, setembro. Daí o nome IPCA-15. O IPCA, por sua vez, é a colheta de informações dos 30 dias do mês em questão.

 

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