Prévia da inflação volta a subir em outubro

Com impacto dos preços dos alimentos, IPCA-15, calculado pelo IBGE, é de 0,48%, depois de ficar em 0,27% em setembro

IDIANA TOMAZELLI / RIO , LUCIANA ANTONELLO XAVIER , SÃO PAULO , O Estado de S.Paulo

19 de outubro de 2013 | 02h06

A prévia da inflação oficial acelerou novamente em outubro, indicando que os preços devem manter o ritmo de alta até o fim do ano. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo - 15 (IPCA-15) ficou em 0,48%, ante 0,27% em setembro, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O principal impacto veio dos alimentos, sinal de que a desvalorização do câmbio finalmente está sendo repassada ao consumidor com maior contundência, avaliaram especialistas.

O economista Pedro Ramos, do Banco Sicredi, afirmou que os alimentos devem continuar sentindo efeitos tardios da alta de preços no atacado dos últimos meses, além de impactos atrasados da depreciação cambial. Ele não descarta a possibilidade de aumento próximo a 1% nesse grupo nas próximas apurações. "O varejo ainda não captou toda a alta do atacado."

Em outubro, o grupo alimentação e bebidas teve alta de 0,7%, ante 0,04% no IPCA-15 do mês passado. O impacto foi de 0,17 ponto porcentual. Já o grupo habitação subiu 0,67%, o segundo maior peso. Juntos, os dois formaram 56% da taxa.

Nesse ritmo, economistas projetam novas acelerações no IPCA cheio até o fim do ano. Ramos prevê alta de 0,59% em outubro. Já o economista-chefe do ABC Brasil, Luis Otávio de Souza Leal, afirmou ao Broadcast Ao Vivo, serviço em tempo real da Agência Estado, que elevou sua previsão para a faixa entre 0,60% a 0,65%. Em setembro, a inflação ficou em 0,35%.

Com certo alívio do dólar (que, depois de chegar a R$ 2,45, tem se ficado entre R$ 2,15 e R$ 2,20), era de se esperar que os preços de alimentos fossem na mesma direção. Isso até vai ocorrer, diz a economista da MCM Consultores, Basiliki Litvac. Mas, segundo ela, os últimos meses do ano são os mais desfavoráveis em termos sazonais, e o período deve coincidir com o reajuste dos combustíveis, o que vai atenuar o impacto.

Juros. O resultado serviu ainda para reforçar as estimativas de novo aumento da Selic em 0,5 ponto porcentual em novembro, afirmou Leal. Na última decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), a taxa básica de juros foi elevada a 9,5%. Mas ele não vê necessidade de continuar o ciclo em 2014. "Olhando por qualquer prisma, a inflação não está confortável. Mas o objetivo principal do Banco Central de inflação abaixo do que foi no ano passado (5,87%) ainda está garantido." Em 12 meses até outubro, o IPCA-15 mostrou alta de 5,75%.

O economista-chefe da Concórdia Corretora, Flávio Combat, também sustenta que a elevação em 0,5 ponto porcentual é dada como certa. "A grande questão é se isso vai para cima dos 10%. Por hora, mantemos a projeção nesse patamar, mas não descarto um aumento residual no próximo ano."

Difusão. A taxa de difusão da inflação ficou em 65,8% em outubro, no cálculo do economista da Rosenberg & Associados Fernando Parmagnani, depois de vir abaixo dos 60% nos últimos meses. "Isso mostra uma inflação mais espalhada e uma fonte adicional de preocupação.". / COLABORARAM FRANCISCO CARLOS DE ASSIS, MARIA REGINA SILVA E RENAN CARREIRA

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