Prévia do IGP-M cai para 0,34%

Deflação nos preços dos alimentos foi a maior responsável pelo recuo do índice na primeira mostra de março

Alessandra Saraiva, O Estadao de S.Paulo

13 de março de 2008 | 00h00

A primeira prévia do Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) do mês de março apresentou perda de força dos reajustes e teve variação de 0,34%, abaixo da apurada em igual prévia do mesmo indicador em fevereiro (0,42%). A razão foi a queda nos preços no varejo, de 0,17%, causada principalmente pela deflação de 0,70% na alimentação.Na prática, a taxa menor na primeira prévia abre espaço para que o IGP-M final de março seja menor que o de fevereiro, cuja alta foi de 0,53%. Usado para reajustar preços de aluguel e de energia elétrica, o IGP-M já acumula elevações de 1,97% neste ano e de 8,66% em 12 meses.Segundo o coordenador de Análises Econômicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Salomão Quadros, a volta da deflação aos preços no varejo respondeu por 90% da desaceleração da primeira prévia do IGP-M de fevereiro para março.Ele explicou que, embora os reajustes nos preços no atacado tenham apresentado leve aceleração - de 0,50% para 0,52% -, a "virada" para o consumidor foi tão grande que levou a uma taxa menor na primeira prévia do mês. O setor de alimentação reinou praticamente absoluto na composição da queda de preços no varejo. Entre os destaques estão quedas e desacelerações de preços em frutas (de 0,38% para -3,49%), carnes bovinas (-1,11% para -2,29%) e arroz e feijão (de 3,20% para 0,08%). O varejo foi beneficiado por duas influências principais. A primeira delas é o bom momento de oferta dos alimentos in natura, que no início do ano tiveram a produção prejudicada por problemas climáticos . A segunda é o repasse de quedas de itens do atacado nos preços de seus derivados no varejo. Na construção civil, os preços também desaceleraram (de 0,52% para 0,34%) na passagem da primeira prévia de fevereiro para igual prévia em março. AGRÍCOLAS Os principais produtos agrícolas no atacado, alerta o economista da FGV, continuam em aceleração, pressionando a inflação nesse segmento e impedindo desacelerações e quedas no varejo.Segundo Quadros, mesmo com a desaceleração da primeira prévia do IGP-M em março, é importante acompanhar a movimentação desses itens, que têm grande peso na formação da inflação do setor atacadista - que, por sua vez, representa 60% do IGP-M. A soja e o trigo são os que apresentam sinais mais preocupantes. Enquanto a taxa de elevação do primeiro item praticamente dobrou - foi de 2,07% para 4,11% - da primeira prévia de fevereiro para igual prévia em março, o segundo produto manteve uma taxa de inflação em nível elevado, embora menos intensa (de 4,65% para 4,15%) no mesmo período. O movimento do preço da soja já puxou para cima o do óleo de soja - de 5,22% para 6,31% - no segmento do atacado. No caso do trigo, que acumula em 12 meses, até a primeira prévia de março, aumento de 31,32%, um dos itens que mais sentiram o impacto foi o pão francês - que saiu de um recuo de 0,13% para um aumento de 0,58% no varejo, da primeira prévia de fevereiro para igual prévia em março.

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