Thiago Teixeira/Estadão
Thiago Teixeira/Estadão

'Prévia do PIB' aponta melhora em junho, mas cai 0,53% no 2º trimestre

Na comparação entre os meses de junho de 2016 e 2015, houve baixa de 3,14%; IBC-Br serve como parâmetro para avaliar o ritmo da economia brasileira ao longo dos meses

Fabrício de Castro, O Estado de S.Paulo

12 de agosto de 2016 | 09h03

BRASÍLIA - Após cair 0,45% em maio (dado já revisado), a economia brasileira voltou a subir em junho. O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) do mês teve alta de 0,23% ante maio, com ajuste sazonal. O índice, considerado a "prévia do PIB", fechou o segundo trimestre com contração de 0,53% sobre os primeiros três meses do ano, segundo dados dessazonalizados divulgados pelo BC nesta sexta-feira, 12.

O índice de atividade calculado pelo BC passou de 133,73 pontos para 134,04 pontos na série dessazonalizada de maio para junho. A alta do IBC-Br ficou mais superior à mediana de +0,18% obtida com as estimativas de 21 analistas do mercado financeiro consultados pelo Projeções Broadcast, mas dentro do intervalo que ia de queda de 0,60% a alta de 0,45%.

No acumulado deste ano, a retração é de 5,38% pela série sem ajustes sazonais. Também pela série observada, é possível identificar um recuo de 5,60% nos 12 meses encerrados em junho.

Na comparação entre os meses de junho de 2016 e 2015, houve baixa de 3,14% também na série sem ajustes sazonais. A série observada encerrou com o IBC-Br em 134,52 pontos, ante 133,14 de maio. O indicador de junho de 2016 ante o mesmo mês de 2015 mostrou uma retração menor do que a apontada pela mediana (-3,45%) das previsões de 18 analistas do mercado financeiro ouvidos pelo Projeções Broadcast (-4,1% a -2,8% de intervalo).

Como de costume, o Banco Central revisou dados do Índice de Atividade Econômica na margem, na série com ajuste. Em maio, o IBC-Br passou de -0,51% para -0,45%. Em abril, o índice foi alterado de +0,07% para +0,10%. No caso de março, a revisão foi de -0,42% para -0,46%. O dado de fevereiro foi de -0,30% para -0,31% e o de janeiro, de -0,69% para -0,68%. Em relação à dezembro do ano passado, o BC substituiu a taxa de -0,21% pela de -0,23% e a de novembro, de -0,86% pela de -0,81%.

De acordo com o BC, a nova série incorpora a estrutura de produtos e avanços metodológicos do Sistema de Contas Nacional - Referencia 2010, do IBGE. Destacam-se também a incorporação da PNAD Contínua em substituição à Pesquisa Mensal de Emprego (PME) e a da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS).

Em janeiro, o Banco Central promoveu uma revisão metodológica na apuração do IBC-Br para incorporar a estrutura de produtos e avanços metodológicos do Sistema de Contas Nacional, entre outros indicadores. Conhecido como "prévia do PIB do BC", o IBC-Br serve como parâmetro para avaliar o ritmo da economia brasileira ao longo dos meses. 

A atual previsão oficial do BC para a atividade doméstica deste ano é de queda de -3,3%, de acordo com o mais recente Relatório Trimestral de Inflação. No Relatório de Mercado Focus da última segunda-feira, a mediana das estimativas do mercado para o Produto Interno Bruto (PIB) estava em -3,23%.

Governo. Desde o início do segundo governo da presidente Dilma Rousseff - atualmente afastada de suas funções em razão do processo de impeachment - é a segunda vez que o Índice de Atividade do Banco Central (IBC-Br) registra, na comparação com o mês anterior, um resultado positivo. 

Antes disso, o IBC-Br só havia ficado no território positivo em abril deste ano, na comparação com março (alta de 0,10%, pelo dado revisado). Nesta época, porém, Dilma Rousseff ainda estava no comando efetivo da Presidência, sendo que o vice, Michel Temer, assumiu apenas no dia 12 de maio, como presidente interino. Afora estes dois meses (junho e abril deste ano), toda a série histórica do Banco Central para o IBC-Br mostra resultados negativos para o índice, na margem, desde o início de 2015, quando Dilma iniciou seu segundo mandato. 

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