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‘Prévia do PIB’ cai 1,2% no Norte e Sudeste no trimestre encerrado em maio, diz BC

Boletim mostra que o recuo da economia foi generalizado nas cinco regiões do País, refletindo o processo de ajuste macroeconômico

Célia Froufe, O Estado de S. Paulo

21 de agosto de 2015 | 10h36

O Banco Central detectou que houve retração da atividade econômica nas cinco regiões do País no trimestre encerrado em maio na comparação com os três meses anteriores. Os Índices de Atividade Econômica do Banco Central do Norte (IBCR-N) e do Sudeste (IBCR-SE) foram os que sofreram as maiores contrações no período, de 1,2% cada, conforme o Boletim Regional. Os indicadores de atividade do BC são observados pelo mercado financeiro como uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB).

Na avaliação do BC, o processo de ajuste em curso no Brasil, associado a efeitos de eventos não econômicos, têm impactado negativamente o desempenho da atividade no curto prazo."Eventos não econômicos" é a forma que a instituição encontrou para citar, por exemplo, investigações a respeito da Operação Lava Jato, sem discriminar exatamente o processo, que tem reflexos sobre a economia do País. 

O documento enfatiza, no entanto, que esse processo macroeconômico é "necessário e essencial para a consolidação de fundamentos que favoreçam a convergência da inflação para a meta no final de 2016". O BC promete entregar no fim do ano que vem o IPCA em 4,5%, centro da meta estipulada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). 

No documento, o BC analisou que o cenário atual é caracterizado pela "perseverança na rigidez" da condução da politica monetária  e por patamares historicamente reduzidos de índices de confiança de empresários e consumidores. Atualmente, a taxa básica de juros (Selic), está em 14,25% ao ano, patamar em que chegou num longo processo de aperto monetário iniciado em abril de 2013. As expectativas agora são de acomodação da taxa nesse patamar. Esse cenário mencionado pelo BC, no entanto, repercute na trajetória das economias das cinco regiões geográficas do País. 

Regiões. No Norte, a atividade econômica segue evidenciando os impactos negativos de resultados desfavoráveis registrados no comércio, na indústria e no setor externo. "Nesse cenário, refletindo, em parte, retrações de 2,1% nas vendas do comércio ampliado e na atividade industrial, o Índice de Atividade Econômica Regional (IBCR-N) recuou 1,2% no trimestre encerrado em maio, em relação ao finalizado em fevereiro", escreveram os técnicos da instituição.  Em 12 meses até maio, o indicador recuou 0,8%. O documento destaca que o superávit da balança comercial da região decresceu de US$ 1,42 bilhão, no primeiro semestre de 2014, para US$ 457 milhões, no período correspondente de 2015.

Em relação ao Sudeste, o Boletim Regional enfatizou que a atividade econômica da região também sofreu com "retrações relevantes" nas vendas do comércio e na produção da indústria. Com isso, manteve-se em trajetória de retração no trimestre encerrado em maio, com desdobramentos negativos sobre o mercado de trabalho. O documento lembra que foram eliminados 66,1 mil empregos formais no período, ante a criação de 144,8 mil em igual período de 2014, de acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), destacando-se o corte de 60,8 mil vagas na indústria de transformação. 

O recuo "da prévia do PIB" no Sudeste foi de 1,2% em relação ao trimestre finalizado em fevereiro, quando havia recuado 0,3%, no mesmo tipo de comparação, de acordo com dados dessazonalizados. Considerados períodos de doze meses, o IBCR-SE contraiu 1,4% em maio. 

Renda agrícola. O Centro-Oeste foi a terceira região mais impactada no período analisado pelo BC. O IBCR-CO recuou 0,7% no trimestre finalizado em maio. Considerados períodos de doze meses, o indicador variou 0,4% em maio. "O ritmo da atividade econômica no Centro-Oeste segue em processo de acomodação, influenciado pelo impacto negativo da evolução das expectativas dos agentes econômicos sobre o desempenho das vendas do comércio e da indústria", escreveram os técnico do BC. Eles ressaltaram que essa dinâmica poderá ser intensificada pela evolução da renda agrícola, que poderá repercutir, ao longo do ano, o impacto do recuo nas cotações internacionais dos principais produtos agrícolas. Isso, apesar do aumento na produção de grãos e da depreciação cambial. 

Já o desempenho da economia do Nordeste foi afetado, conforme o Boletim Regional, no trimestre encerrado em maio, pela perda de dinamismo do comércio e pela recuperação modesta da atividade agropecuária, ainda prejudicada por condições meteorológicas irregulares. O IBCR-NE decresceu 0,4% no trimestre, em relação ao encerrado em fevereiro, considerados dados dessazonalizados. O indicador teve alta 2,6% no período de doze meses encerrado em maio. 

"Ressalte-se que o crescimento da indústria da região repercutiu, em grande parte, o efeito da base de comparação deprimida, em função da paralisação, na Bahia, da produção de derivados de petróleo e biocombustíveis em janeiro e fevereiro", enfatizaram os técnicos no documento.

Por fim, a região Sul foi a menos afetada no período analisado pelo Boletim Regional. O IBCR-S caiu 0,1% em relação ao trimestre finalizado em fevereiro, quando já tinha apresentado um recuo bem mais forte, de 1,2%, no mesmo tipo de comparação, na série isenta de sazonalidade. Considerados intervalos de 12 meses, o indicador registrou estabilidade em maio. 

"A economia do Sul apresentou relativa estabilidade no trimestre encerrado em maio, reflexo de retrações no comércio e na indústria, e de desempenhos favoráveis da agricultura e da balança comercial", trouxe o documento do BC. "Vale destacar a estimativa de aumento anual de 9,4% para a safra de grãos da região em 2015, impulsionado por aumentos projetados para as colheitas de trigo (18,8%) e soja (17,5%)", continuaram.

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