André Dusek / Estadão
André Dusek / Estadão

Prévia do PIB do BC recua 0,47% em abril, abaixo do piso das projeções

A previsão oficial do BC para o PIB em 2019 é de avanço de 2,0%, mas o índice tende a ser revisado no fim do mês

Fabrício de Castro e Francisco de Assis, O Estado de S.Paulo

14 de junho de 2019 | 16h45

Após recuar 0,30% em março (dado revisado), a economia brasileira teve nova baixa em abril deste ano. O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) recuou 0,47% em abril ante março, na série com ajuste sazonal, informou o BC. O indicador é considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB).

A baixa do IBC-Br ficou inferior ao piso do intervalo projetado pelos analistas do mercado financeiro consultados pelo Projeções Broadcast , que esperavam resultado entre -0,40% e elevação de 0,30% (mediana em -0,12).

O índice de atividade calculado pelo BC passou de 136,55 pontos para 135,91 pontos na série dessazonalizada no período. Este é o menor patamar para o IBC-Br com ajuste desde maio do ano passado (133,25 pontos).

A previsão oficial do BC para o PIB em 2019 é de avanço de 2,0%, mas o índice tende a ser revisado no fim do mês, quando a instituição divulgará o Relatório Trimestral de Inflação.

No boletim Focus, que compila as projeções do mercado financeiro, a projeção mediana para o PIB em 2019 já está em apenas 1,00%. No entanto, o sistema do Focus indica que já existe pelo menos uma instituição financeira que projeta um PIB de apenas 0,51%. De janeiro a março deste ano, o dado oficial do PIB, divulgado pelo IBGE, revelou retração de 0,2% na economia.

A queda do índice aprofundou a herança estatística negativa do indicador no segundo trimestre, para -1%, de -0,5% no fim do primeiro trimestre, mostram os cálculos do economista-chefe da Parallaxis, Rafael Leão.

Assim, para o IBC-Br ficar estável no trimestre, seria necessário um crescimento de 1%  em maio e junho, um crescimento bastante forte, na avaliação de Leão. “Não vemos um crescimento desse há um belo tempo. Tivemos avanço de 3,29% em junho de 2018”, diz, citando que esse aumento só ocorreu por causa da devolução da queda forte em maio do ano passado, devido à greve dos caminhoneiros.

O economista acrescenta que, pelo menos em maio, os indicadores antecedentes não estão indicando um crescimento dessa magnitude. "Os dados do IBC-Br estão sugerindo uma recessão técnica no segundo trimestre."

“Se nada for feito, podemos encerrar 2019 com uma retração do PIB”, diz, lembrando que já há economistas esperando que o PIB cresça 0,5% no ano e completando que um novo trimestre com frustração do PIB poderia levar essas projeções para um encolhimento da atividade.

As projeções oficiais de PIB da Parallaxis são de zero para o segundo trimestre e 0,9% para 2019.

Em relação à política monetária, Leão aposta em corte de juros já em julho, levando a Selic a 5,5% no fim do ano. "A política monetária não vai salvar a economia, mas pode ajudar."

Recessão. Há riscos substanciais e crescentes apontando na direção de uma recessão técnica no segundo trimestre, considerou economista-chefe da XP Asset Management, Isabela Guarino.

As considerações da economista tomam como ponto de partida a safra de indicadores de atividade divulgados no decorrer da semana, encerrada hoje com o IBC-Br de abril. O indicador, que lê desempenho da economia pela ótica da oferta, recuou 0,47% em abril ante março e encolheu 0,62% em no comparativo com abril do ano passado.

A XP Asset projeta ligeiro crescimento de 0,1% para o PIB na prévia do segundo trimestre, o que eliminaria no limite a ocorrência de uma recessão técnica, definida pela contração do produto por dois trimestres consecutivos. No primeiro quarto do ano, o PIB caiu 0,20%, segundo cálculos feitos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

"Mas de fato, a surpresa negativa do IBC-Br e dos demais dados da atividade da semana, há riscos substanciais de crescentes de ter recessão técnica no segundo trimestre", disse Isabela. Ainda de acordo com ela, a previsão da XP Asset para o PIB este ano é de 0,6%, mas com riscos baixistas da projeção.

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