Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

'Prévia' do PIB do BC tem expansão de 0,69% em novembro após 4 recuos

Índice serve mais precisamente como parâmetro para avaliar o ritmo da economia brasileira ao longo dos meses

Eduardo Rodrigues, O Estado de S.Paulo

17 de janeiro de 2022 | 09h38
Atualizado 17 de janeiro de 2022 | 10h52

BRASÍLIA - Após quatro meses de queda, a atividade econômica brasileira apresentou resultado positivo em novembro. O Banco Central informou nesta segunda-feira, 17, que seu Índice de Atividade (IBC-Br) subiu 0,69% em novembro, na série já livre de influências sazonais. Para economistas, o resultado indica estabilidade do Produto Interno Bruto (PIB) no quarto trimestre de 2021.

De outubro para novembro, o índice de atividade calculado pelo BC passou de 137,13 pontos para 138,08 pontos na série dessazonalizada. Este é o maior patamar desde agosto (138,33 pontos). 

Conhecido como uma espécie de “prévia do BC para o PIB”, o IBC-Br serve mais precisamente como parâmetro para avaliar o ritmo da economia brasileira ao longo dos meses. A projeção atual do BC para a atividade doméstica em 2021 é de crescimento de 4,4%. Para 2022, é de avanço de apenas 1,0%.    

A alta do IBC-Br ficou dentro do intervalo projetado pelos analistas do mercado financeiro consultados pelo Projeções Broadcast, que esperavam resultado entre queda de 0,30% e avanço de 1,00%. O resultado ficou bem próximo da maioria das apostas, de 0,70%.

"O número positivo foi em grande parte resultado da forte expansão de serviços em novembro, que surpreendeu as estimativas com alta de 2,4%. Também tivemos uma contribuição menor de uma recuperação nas vendas do varejo, com alta de 0,5% no varejo ampliado", disse  o economista Rodolfo Margato, da XP Investimentos. 

Segundo o economista, olhando para trás, a leitura representa um sinal importante de alívio para a atividade, mas o cenário no curto prazo ainda é desafiador. A XP Investimentos tem expectativa preliminar para o quarto trimestre de estabilidade (0,00%) do IBC-Br e ligeiro avanço do PIB, de 0,1%. A corretora projeta elevação de 4,4% do PIB em 2021 e estabilidade em 2022 (0,0%), com previsão de crescimento da atividade no primeiro trimestre e queda nos trimestres seguintes. .

Para o Banco Alfa, o indicador deve crescer 0,5% em dezembro e encerrar o quarto trimestre com queda de 0,15%, ou seja, perto da estabilidade.  "Com isso, diminui a chance de vermos um PIB negativo no quarto trimestre, o que poderia prejudicar as projeções para o ano que vem via carrego estatístico. Tivemos reforçada a nossa projeção de crescimento de 0,3% em 2022", disse o economista-chefe do banco, Luis Otávio de Souza Leal.

No acumulado dos onze primeiros meses de 2021, o índice de atividade econômica registrou expansão de 4,59% - sem ajuste sazonal. Já em 12 meses até novembro de 2021, houve alta de 4,30% – também sem ajuste sazonal. 

A despeito da alta em novembro e de algumas revisões para cima do indicador, o quadro para a economia doméstica em termos de crescimento não muda, avaliou a economista-chefe da Veedha, Camila Abdelmalack. Para ela, o avanço do índice pode ser visto como retrovisor, dado que o mercado quer ver como ficarão as expectativas para a economia como um todo em meio ao quadro alto de inflação e a dúvidas a respeito do Orçamento.

"Ficará mais atento a perspectivas, a essas paralisações [servidores federais prevista para amanhã], do que a essa fotografia que passou com os dados econômicos", afirma, acrescentando que o IBC-Br sugere variação zero para o PIB fechado em 2022. "Consenso de mercado é de que a atividade fique perto de zero."

Ao mesmo tempo que o movimento dos servidores gera cautela, a aceleração inflacionária do Brasil também preocupa, afirma Camila. Hoje, diz, o IGP-10, com variação positiva de 1,79% em janeiro, após recuo de 0,14% em dezembro, traz alguma cautela com a inflação. "A expectativa de uma safra de grãos recorde no País pode ser revisada em razão da estiagem no sul do Brasil e no Mato Grosso do Sul".

Se por um lado a atividade ainda fraca pode respaldar abertura da curva de juros, a inflação não parece corroborar com este cenário, diz a economia. "Só se houver um conjunto, uma ancoragem das expectativas. O ano começa com inflação preocupante. Além dessa questão sobre grãos [seca Sul e MS], tem a pressão sobre combustíveis, que estão acelerando", afirmou.  / COLABORARAM MARIANA GUALTER, CÍCERO COTRIM E MARIA RERGINA SILVA

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