Prévia do PIB reforça pessimismo dos analistas

Consultoria Tendências aposta em recuo de 0,3% no PIB trimestral oficial; para a LCA, a variação será entre -0,2% e +0,2%

Ricardo Leopoldo e Beatriz Bulla, da Agência Estado,

14 de novembro de 2013 | 11h48

SÃO PAULO - O recuo trimestral do PIB (produção de bens e serviços) de 0,12% previsto pelo Banco Central e anunciado nesta quinta-feira, 14, reforça as previsões pessimistas.

No mês de setembro em relação a agosto, o recuo foi de 0,1%. Para o economista Rafael Bacciotti, da Consultoria Tendências, esse dado negativo consolida a previsão de queda de 0,3% na atividade econômica do Brasil.

De acordo com Bacciotti, dois indicadores devem ter colaborado para o dado: (1) a queda de 1,4% da Indústria de Transformação no período; e (2) a redução expressiva da velocidade das vendas no varejo pelo conceito ampliado, que inclui os setores de automóveis e construção civil.

O PIB do quarto trimestre, para ele, não deve ter evolução significativa, pois estima estabilidade na margem. Um dos fatores que devem influenciar esse desempenho do nível de atividade no último trimestre do ano, diz, é um fraco ritmo para a produção industrial.

Bacciotti avalia que o PIB perderá um pouco de tração já no começo de 2014. Essa leve perda de fôlego também terá como uma de suas causas o ciclo de aumento de juros que o Banco Central (BC) iniciou em abril, no qual elevou a Selic de 7,25% ao ano para os atuais 9,5%. Dessa forma, ele acredita que o PIB no próximo ano deve crescer 2,1%, nível um pouco inferior que a elevação de 2,4% estimada para 2013.

'Contas Nacionais'. A LCA Consultores faz projeções não menos negativas. O PIB a ser anunciado nas Contas Nacionais Trimestrais do IBGE, a ser divulgado no dia 3 de dezembro, deve ficar no intervalo entre -0,2% e +0,2%, na série dessazonalizada, aposta. Para a consultoria, o IBC-Br de setembro divulgado nesta manhã foi mais fraco do que a estimativa.

"Comparativamente ao terceiro trimestre de 2012, o IBC-Br apresentou uma taxa de variação de +2,7%, sugerindo variação semelhante para o PIB", aponta a consultoria em nota.

A consultoria aponta que, quando se dessazonaliza a série trimestralizada do IBC-Br com o mesmo procedimento adotado pelo IBGE para ajustar o PIB, o resultado do terceiro trimestre é de contração de 0,5% na atividade econômica.

"Nossos modelos vêm apontando que, após ter registrado uma expansão bastante expressiva no segundo trimestre (+1,5%), o PIB brasileiro deve ter ficado estagnado neste terceiro trimestre em termos dessazonalizados, com risco de registrar alguma queda", aponta a consultoria.

Para a LCA, a estimativa preliminar para o IBC-Br de outubro é de variação de 2,3% ante mesmo mês de 2012, seguindo estimativa de produção industrial com alta interanual de 0,5% e avanço dessazonalizado de 0,2% e volume vendido pelo comércio varejista ampliado com variação interanual de -0,2% e alta dessazonalizada de 0,7%.

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