Prévia do PIB cresce pelo 3º mês consecutivo

Prévia do PIB cresce pelo 3º mês consecutivo

Alta de 0,49% em novembro reforça a percepção de analistas de que a economia está se recuperando e pode crescer até 3% neste ano

Fabrício de Castro, O Estado de S.Paulo

15 de janeiro de 2018 | 08h41

BRASÍLIA – A atividade econômica cresceu pelo terceiro mês seguido, segundo o Banco Central. O Índice de Atividade da instituição (IBC-Br) subiu 0,49% em novembro ante outubro, já descontados os efeitos sazonais. Em relação a novembro de 2016, o indicador saltou 2,82% na série sem ajustes. 

Tratado como prévia do PIB, o IBC-Br serve como parâmetro para avaliar o ritmo da economia. A projeção do BC para a atividade econômica em 2017 é de expansão de 1%, sendo que, na visão de alguns economistas, os resultados de novembro reforçaram a percepção de que a economia está se recuperando. De janeiro a novembro, o IBC-Br subiu 0,97% e, nos 12 meses até novembro, avançou 0,68%.

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Os dados indicam, segundo alguns analistas, que a retomada pode ser mais forte que o esperado. “Se observarmos o IBC-Br na margem (mês ante o mês anterior), há um desempenho melhor da atividade nos últimos meses, o que sugere um viés de alta na projeção de 2,7% para o crescimento do PIB em 2018”, avalia o economista-chefe da Icatu Vanguarda, Rodrigo Melo.

Segundo ele, um dos destaques do crescimento econômico deve ser o investimento, mesmo com o cenário de incerteza eleitoral. “O nível de investimento das empresas caiu muito desde o período pré-crise. Então, há um efeito base que o favorece. Além disso, o cenário melhor de atividade estimula o investimento em melhorias”, afirma. “A recuperação do investimento já é vista nos dados.”

Para o economista Rodrigo Soares de Abreu, da Caixa Asset Management, o crescimento de 1%, se confirmado, deve deixar um carregamento estatístico - uma espécie de impulso - para 2018 de 0,30%. Os investimentos e o consumo devem liderar a expansão prevista, calculada pela Caixa Asset em 2,5%. “O investimento ainda não deve ser do nível do observado em momentos de saída de recessão, mas deve crescer em relação às demais variáveis. Porém, deve ter desempenho menor que o esperado para o consumo”, diz Abreu.

O economista Marcel Caparoz, da RC Consultores, afirma que a economia pode crescer acima de 3% este ano, caso diminuam as incertezas, especialmente em relação à eleição. O crescimento será amparado, sobretudo, pelo consumo. “Mas só isso não deve sustentar a atividade, pois o consumo tem fôlego curto”, diz. “É necessário investimento, mas ainda não vemos isso avançando rapidamente.” / COLABORARAM ALTAMIRO SILVA JUNIOR, MARIA REGINA SILVA E THAÍS BARCELLOS

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