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Prévias mostram inflação pressionada

Puxado pelo minério, IGP-10 vai a 0,64% e IPC-Fipe atinge 0,27% por causa da habitação

O Estado de S.Paulo

19 de outubro de 2011 | 03h08

Dois indicadores de preços divulgados ontem mostram que a inflação deste mês registrou uma pequena aceleração. Mesmo assim, economistas acreditam que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) deve optar, na reunião que termina hoje, pela continuidade no corte da taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 12% ao ano.

O Índice Geral de Preços-10 (IGP-10) da FGV atingiu 0,64% em outubro, depois de uma alta de 0,63% em setembro. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fipe teve alta de 0,27% na segunda quadrissemana deste mês, com elevação de 0,04 ponto porcentual ante a primeira quadrissemana.

A alta do IGP-10 foi influenciada pelo aumento do minério de ferro, que, impactado pela escalada do dólar, subiu 5,23% no período. O minério respondeu por um terço da inflação no atacado em outubro, de 0,81%, e um quinto da elevação do indicador cheio, que chegou a 0,64%.

No caso do IPC-Fipe, as pressões vieram especialmente dos gastos com habitação, que cresceram 0,43% ante alta de 0,28% na quadrissemana anterior; despesas com alimentação, que subiram para 0,46% ante 0,39%; e despesas pessoais, que aumentaram 0,51%, com elevação de 0,20 ponto porcentual na comparação com a primeira prévia.

Segundo a economista do Banco Santander, Tatiana Pinheiro, a inflação medida pelo IPCA, usada como referência do sistema de metas de inflação do BC, deve subir 0,50% este mês e ser menor que setembro deste ano (0,53%) e outubro de 2010 (075%). Ela destaca que será a primeira vez no ano que a inflação mensal apurada pelo IPCA ficará abaixo da de 2011. Ela prevê que a inflação do último trimestre fique abaixo do mesmo período de 2010. "O mundo está crescendo menos, as commodities estão em queda e a atividade econômica no mercado doméstico está em desaceleração."

Aceleração. Thiago Curado, economista da consultoria Tendências, também projeta um IPCA menor para este mês, de 0,50% com viés de baixa. Mas ele acredita que a inflação oficial voltará a se acelerar a partir de novembro.

Entre os fatores apontados pelo economista estão a sazonalidade da inflação no fim de ano. Com mais dinheiro circulando na economia em razão do pagamento do 13.º salário, cresce a possibilidade de elevar preço.

Além disso, com o início da entressafra das carnes e da cana-de-açúcar, Curado prevê que os preços dos alimentos e do etanol sejam pressionados. Também o reajuste do mínimo de 14% deve influenciar os preços dos serviços. "Não vemos arrefecimento da inflação nos próximos meses para que o BC corte juros. Achamos que o Copom vai errar."

O economista-chefe da SulAmérica, Newton Rosa, projeta uma inflação mensal menor no último trimestre deste ano na comparação com o mesmo período de 2010. Apesar disso, ele acredita que em 12 meses a inflação deve ficar em 6,5%. / MÁRCIA DE CHIARA, ALESSANDRA SARAIVA, MARIA REGINA SILVA

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