Previdência aberta cresce e atrai baixa renda

A previdência privada complementar aberta atingiu faturamento de R$ 2,938 bilhões no primeiro quadrimestre de 2003 com um crescimento de 25,09% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo dados da Superintendência de Seguros Privados (Susep). O debate sobre a reforma da Previdência - e a necessidade de equilibrar as contas públicas, reduzindo privilégios de funcionários do setor estatal de alta renda - está tendo um efeito inesperado. A discussão chamou a atenção de pessoas de menor renda para a necessidade de abrir um plano de previdência complementar.É crescente a abertura de planos com valores mínimos de R$ 25,00 mensais por pessoas já amparadas pelo teto atual do INSS (de R$ 1.561,56). Eduardo Bom Angelo, diretor da Associação Nacional da Previdência Privada (Anapp) e presidente da BrasilPrev (que comercializa os planos de previdência nas agências do Banco do Brasil), diz que a tendência está sendo verificada em praticamente todos os bancos de varejo na comercialização da previdência aberta. O mercado está tão aquecido que bastou a BrasilPrev ter atrasado o lançamento do produto Vida Gerador de Benefícios Livre (VGBL) para ter perdido a classificação no "ranking" setorial de segunda colocação em dezembro de 2002 para quarto lugar atualmente. O VGBL é um plano de previdência mais adequado para quem faz a declaração simplificada do Imposto de Renda. Os bancos em geral lançaram o VGBL no ano passado e a BrasilPrev a partir de abril deste ano. Os primeiros colocados passaram a ser Bradesco, Itaú e Unibanco.Bom Angelo espera alcançar a terceira colocação até outubro deste ano com maior ênfase na comercialização pelas agências do Banco do Brasil. Para recuperar o segundo lugar, a BrasilPrev está apostando nas vendas em dezembro deste ano do Plano Gerador de Benefícos Livres (PGBL). Com este plano é possível a dedução das contribuições na declaração até o limite de 12% da renda bruta anual. O setor está reivindicando um aumento nesse limite de desconto para ampliar a captação de poupança popular. Bom Angelo trabalha para ampliar o número de um milhão de clientes atuando também no segmento de instituidores (planos de fundos de previdência organizados por Associações de Classe e sindicatos). O presidente da BrasilPrev diz que o debate da reforma da Previdência neste ano tem como foco o equilíbrio das contas públicas, mas espera que em 2004 já se possa discutir o direcionamento da poupança financeira arrecadada - com o crescimento da indústria de planos de previdência complementa r- para estimular o desenvolvimento do mercado de capitais no Brasil.

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