ANÁLISE: Previdência é essencial para meta de inflação

Mesmo assim, a trajetória iniciada agora já vem tarde

Sérgio Vale*, O Estado de S.Paulo

29 Junho 2017 | 22h27

Em decisão acertada, o BC optou por diminuir a meta para 4,25% em 2019, com a novidade de diminuir para 4% no ano seguinte e aumentar o prazo de convergência para a meta para três anos, dando tempo de melhor coordenação entre políticas monetária e fiscal.

Em que pese os inúmeros riscos presentes, especialmente na questão fiscal, a opção por essa diminuição agora decorre de algo maior do que a reforma da Previdência, que é a agenda de política econômica. Hoje se sabe que a reforma como está não tem como ser aprovada. Terá de ser transformada em algo menor e, particularmente, não acredito haver mais tempo até 2019 para mudanças relevantes. Mas isso não impede que a agenda de consolidação fiscal de curto prazo não continue. Ficará para 2019 uma reforma digna de nome, e isso apenas se ganhar um presidente reformista.

Se não tivesse havido a crise política, a Previdência a essa altura já estaria aprovada na Câmara e haveria espaço para a meta cair para 4% em 2019. Sem essa opção, a solução intermediária entre nada fazer e ser mais agressivo foi sensata.

Vale dizer também que 2018 será ano de risco inflacionário maior, já que dois dos três elementos que ajudaram a inflação este ano estarão enfraquecidos. Tanto a forte queda nos preços de alimentos como a forte recessão não deverão estar mais presentes para sustentar a queda de inflação que se viu este ano. O outro elemento, que é a qualidade da política monetária, permanece e garante poucos sustos nessa área. Há espaço para que a inflação possa sair dos quase 3% que atingirá este ano para, no pior cenário, atingir o teto de 6% ano que vem. Não é o cenário básico, mas há espaço para surpresas negativas de curto prazo.

Mesmo assim, a trajetória iniciada agora já vem tarde. Com 18 anos de meta de inflação, já havia passado da hora de começar esse processo. Essa nova agenda permite que, gradualmente, se alcance 3% de meta na próxima década. Mas não nos enganemos. Sem reforma da Previdência em 2019 que valha o nome, essa queda será uma vitória de Pirro.

* ECONOMISTA-CHEFE DA MB ASSOCIADOS

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