Previdência registra maior déficit da história em maio

A Previdência Social registra o maior déficit de sua história. Em maio, as contas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) apresentaram um balanço negativo de R$ 1,779 bilhão, resultadode uma arrecadação de R$ 6,046 bilhões contra um gasto de R$ 7,825 bilhões com o pagamento de benefícios. Em termos reais, o rombo foi 37,8% maior do que o registrado em maio de 2002.No acumulado do ano, o déficit já alcança R$ 7,776 bilhões, com crescimento de 19,8% em relação ao registrado no mesmo período do anopassado.Pela terceira vez, a Previdência reviu suas previsões, indicando que o INSS fechará o ano no vermelho em R$ 26,1 bilhões. A estimativa inicial era de R$ 23 bilhões. Em 2002, o INSS fechou o anocom um saldo líquido negativo de R$ 17 bilhões.O secretário de Previdência Social do Ministério, Helmut Schwarzer, atribuiu o crescimento do déficit em maio ao reajuste do salário mínimo, que passou de R$ 200,00 para R$ 240,00. ?Só o aumento do mínimo teve um impacto de R$ 501 milhões nas contas do INSS?, informou, aolembrar que cerca de dois terços dos 21 milhões de benefícios pagos pelo instituto são equivalentes a um salário mínimo.Além disso, segundo o secretário, a inflação também teve um efeito perverso nas contas da Previdência: ?O impacto foi mais perverso sobreo salário real dos trabalhadores.? A corrosão dos salários provocou uma queda real na arrecadação das empresas, que corresponde a 20% da folhasalarial.Mesmo com o crescimento do déficit, o secretário defende que as regras de acesso aos benefícios do INSS não precisam passar por uma reforma, aexemplo da proposta enviada pelo governo para o regime previdenciário dos servidores públicos. De acordo com Schwarzer, as contas do INSStenderão para um equilíbrio à medida que o governo conseguir promover o crescimento econômico e baixar a inflação. Mais crescimento econômico significará mais emprego e possibilidade de recuperação do salárioreal.Na avaliação do secretário, também contribuirá para o equilíbrio das contas da Previdência a desoneração da folha salarial, medida propostano pacote da reforma tributária. O governo pretende reduzir pela metade a contribuição previdenciária sobre a folha e arrecadar o restante sobre o faturamento das empresas. Dessa forma, segundo Schwarzer, a Previdência deixará de ter um peso considerável sobre a parcela dasempresas empregadoras, passando a dividir o ônus do financiamento entre todos os segmentos produtivos do País.

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