Previsão de PIB para 2014 pode cair, diz banco

O resultado do PIB do segundo trimestre reduz as chances de um crescimento abaixo de 2% em 2013, mas aumenta a probabilidade de um PIB negativo no terceiro trimestre, e de um crescimento mais baixo em 2014 (possivelmente inferior a 2%) do que neste ano. É a opinião de Carlos Kawall, economista-chefe do banco de investimento J Safra, que reviu sua projeção de PIB de 2% para 2,3%, mas pode rever também, para baixo, a de 2014, de 2,2% para 2%.

FERNANDO DANTAS/ RIO, O Estado de S.Paulo

31 de agosto de 2013 | 02h15

Segundo especialistas, se o PIB de 2013 confirmar o padrão de um segundo semestre pior do que o primeiro, com o pico no segundo trimestre, este fato cria um carregamento estatístico ruim para 2014, e pode prejudicar os números do ano eleitoral (embora o resultado do ano só será conhecido em 2015).

"Faz tempo que não tínhamos uma surpresa positiva", diz Kawall. A projeção do J Safra para o segundo trimestre era de crescimento de 0,9% (na comparação dessazonalizada com o primeiro), bem abaixo do resultado de 1,5% ocorrido.

O economista observa que a composição do PIB do segundo trimestre foi melhor, com um peso maior do investimento e do setor externo, quando comparados ao consumo.

Para Kawall, a indústria veio em linha com as previsões, mas os serviços e a agricultura surpreenderam. Pelo lado da demanda, os investimentos vieram fortes, mas a surpresa foi o setor externo, com exportações acima do esperado e pequeno aumento das importações (que se subtraem do PIB na análise da demanda), na comparação com o primeiro trimestre.

Kawall nota que aumentaram as chances de um terceiro trimestre negativo, por causa da base de comparação mais alta do que o segundo. Acrescenta que o investimento, que foi muito bem no primeiro e segundo trimestres - altas de 4,7% e 3,6% - é uma variável muito volátil. Assim, esta base alta do primeiro semestre aumenta a chance de uma "devolução" no segundo, o que pode piorar os números na segunda metade do ano.

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