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'Previsão inicial para a economia do Brasil era mais apocalíptica'

Cenário com a pandemia da covid-19 foi se alterando e previsão de queda do PIB feita pelo banco MUFG mudou de 9% para 4,6% neste ano

Entrevista com

Eduardo Schultz, diretor vice-presidente do banco MUFG

Fernando Scheller, O Estado de S.Paulo

17 de agosto de 2020 | 05h00

Apesar de estar presente há 101 anos no Brasil, o banco MUFG (antes conhecido como Banco de Tokyo e parte do grupo financeiro Mitsubishi UFJ) se assustou com a dimensão da crise da pandemia de coronavírus no País. O diretor vice-presidente do Banco MUFG Brasil, Eduardo Schultz, disse ter visto uma corrida de empresas por crédito – tanto das que precisavam de dinheiro quanto daquelas em boa situação financeira, mas desesperadas por um colchão extra de liquidez.

O ineditismo e a rapidez da crise sanitária fizeram as previsões atingirem o fundo do poço assim que grandes cidades começaram a fechar as atividades econômicas: o MUFG, lembra o executivo, chegou a prever uma queda entre 9% e 10% para o PIB. Depois, reduziu o tamanho do tombo para 7,4%. Agora, revisou novamente a expectativa para uma queda de 4,6%. “As previsões iniciais eram mais apocalípticas do que a gente está vendo agora.”

 

Como o setor produtivo reagiu à chegada do coronavírus no Brasil?

Estamos no Brasil há muito tempo e passamos por muitas subidas, descidas e choques. Mas a pandemia não tinha precedentes. Tudo aconteceu muito rápido, houve um choque repentino. Agora estamos começando a ver os especialistas revisando os números, que ainda são de uma incerteza grande.

Como vocês perceberam o choque na economia?

Em março e abril, vimos nossos clientes buscarem mais e mais crédito – mesmo quem não tinha problema de liquidez queria proteção. Trabalhamos com dois segmentos principais: grandes empresas brasileiras e multinacionais japonesas que atuam por aqui. E houve uma alta no movimento de ambas.

Qual é a situação agora?

Parece que a economia real está mais ativa. A gente não consegue ainda ver uma direção muito clara, mas as previsões iniciais eram mais apocalípticas do que a gente está vendo agora. Chegamos a trabalhar com um cenário de queda de 9% a 10% para a economia em 2020, depois revisamos para 7,4% (após a entrevista, o banco divulgou nova expectativa, de -4,6%). No câmbio, não vemos o valor do real se deslocando tanto assim em relação ao atual. 

O sr. acha que o mercado subestimou, inicialmente, a pandemia?

Acho que, em janeiro, não se tinha a dimensão real do problema. A principal preocupação era: como isso vai bater na economia chinesa? Não se tinha um exemplo global de pandemia. Então, talvez o diagnóstico tenha sido um pouco tardio. 

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